Mais um caso de violência doméstica nas estatísticas, mais um caso de amor que termina em tragédia. A vítima conta que o seu parceiro, agora detido, sempre usou a força para resolver diferendos. Cansada das sessões de espancamento, e porque o seu companheiro não custeava as despesas caseiras, decidiu abandonar o lar e ir trabalhar em Inhambane.

Nesta semana, decidiu visitar o seu esposo e sua filha, mas foi recebida tal como sempre. “Fui ter com ele porque já estava para regressar a Inhambane. Quando cheguei à casa pedi para conversar com ele, entretanto, disse que não podia atender-me no quarto. Eu questionei o porquê da restrição se a casa também é minha. E como resposta agarrou e apertou o meu pescoço, machucou as minhas pernas e como se não bastasse foi buscar um bastão e desferiu golpes em todo o corpo, sendo que na cabeça recebi mais de dez pontos”, detalhou a vítima.

A mulher conta ainda que só sobreviveu graças à intervenção da sua filha de 14 anos. “Acho que a minha filha não viesse acudir, provavelmente estaria morta. Sinto dores em todo o corpo”, detalhou para depois explicar que nem sempre foi assim. “No namoro ele não era agressivo, tudo mudou quando passamos a viver juntos. Ele não é agressivo só comigo, as crianças também são vítimas do seu temperamento agressivo. Os vizinhos conhecem-no e sabem que podem ser também vítima”, terminou.

De educador a infractor

O professor trocou a sala de aulas pela cela da 9ª esquadra da Esquadra de Tsalala. Privado da sua liberdade, o indiciado diz-se arrependido e conta a sua versão. “Ela chegou a Maputo há dias e porque andei fora por motivos pessoais ela se instalou na casa. E no dia que cheguei, veio até ao meu quarto. Disse que queria os meus lençóis e cortinas, o que para mim não fazia sentido. Até pensei que ela queria usar o material para usar em sessões de bruxaria. Tirei ela para fora da casa e me apercebi que existiam dois homens. Um deles tentou desferir um golpe contra mim, mas atingiu a ela. Em seguida, levei o mesmo bastão e bati nela na cabeça. Suspeito que eles (os homens) foram contratados por ela para me agredir porque não vivíamos juntos há um ano”, justificou.

A vítima da agressão, que trabalha actualmente em Inhambane, diz que não tem como voltar àquela província porque tem uma filha menor que mora com o esposo e estando ele detido a criança não tem com quem ficar. Entretanto, teme que o seu marido volte e lhe encontre na casa.

O País