Internacional Ex-Presidente iraniano Ahmadinejad exige “eleições livres” imediatas

Ex-Presidente iraniano Ahmadinejad exige “eleições livres” imediatas

O ex-Presidente do Irão Mahmoud Ahmadinejad, cujo nome está associado à violência pós-eleitoral de 2009, desafiou novamente as autoridades iranianas ao exigir a organização “imediata de eleições (presidenciais e legislativas) livres”.

“É uma necessidade urgente a realização imediata de eleições presidenciais e legislativas, sem interferências do Conselho dos Guardiães nem dos órgãos militares ou das forças de segurança, para que o povo tenha a liberdade de escolher”, escreveu Ahmadinejad numa “carta aberta”.

A “carta aberta” foi dirigida ao “número um” do regime iraniano, ayatollah Ali Khamenei, e está disponível no sítio da Internet que apoia o antigo Presidente iraniano.

O Conselho dos Guardiães da Constituição é um órgão de controlo da República Islâmica encarregado da organização da grande maioria das eleições no país e é quem valida as candidaturas, tendo perdido credibilidade face à existência de acções judiciais contra vários dos responsáveis que o integram, acusados de corrupção.

Ahmadinejad tem, há vários meses, multiplicado os ataques violentos contra o poder, em particular contra a Autoridade Judiciária e o respectivo responsável máximo, o ayatollah Sedegh Larijani, seu rival entre os ultraconservadores.

O Conselho dos Guardiães já reagiu à “carta aberta” do antigo Presidente e, numa breve declaração, rejeitou a organização de eleições antecipadas e criticou Ahmadinejad.

“Actualmente, o país não necessita de eleições, uma vez que todas as votações foram realizadas de forma viável e legal”, sublinhou o porta-voz do Conselho, Ali Kadkhodai.

O porta-voz acusou, depois, o ex-Presidente iraniano de, em 2009, ter feito pressão sobre o próprio Conselho dos Guardiães para que este órgão publicasse os resultados das eleições de então antes dos prazos previstos na lei.

Na “carta aberta” ao “guia supremo” da República Islâmica do Irão, Ahmadinejad não alude directamente aos incidentes que agitaram o país durante as celebrações do Ano Novo muçulmano, em que pelo menos 25 pessoas morreram em manifestações não autorizadas contra o poder, nem às dificuldades económicas e à corrupção.

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O antigo Presidente iraniano optou por responder ao discurso pronunciado por Khamenei, que reconheceu que, apesar dos “progressos em inúmeros domínios” registados no país desde a revolução islâmica, em 1979, a Justiça no Irão ainda tem um longo caminho a percorrer.

“Esses comentários claros do guia podem, naturalmente, ser entendidos como uma forma de pressão para que se apliquem reformas urgentes e concretas para satisfazer as exigências da população”, escreveu Ahmadinejad, Presidente do Irão entre 2005 e 2013, avançando, além da organização de eleições, mais “algumas sugestões” como “contribuição” para a mudança.

Nesse sentido, e acusando-o de “gestão danosa”, propõe a demissão do responsável máximo da Autoridade Judiciária, cuja nomeação é feita pelo “Guia Supremo”.

Por outro lado, alega também as “injustiças” cometidas por vários dirigentes da Autoridade Judiciária que, segundo Ahmadinejad, “constituem, uma das principais causas do descontentamento popular”.

O antigo Presidente iraniano propõe também a libertação de “todas as pessoas detidas ou condenadas por críticas ao poder” e a anulação das respetivas acusações.

A 14 deste mês, e aludindo aos vários casos recentes de “suicídios” nas prisões iranianas, Ahmadinejad reprovou as declarações proferidas por Khamenei, que afirmou que as “operações do aparelho judiciário e de outros órgãos” não são da sua responsabilidade.

Ultraconservador e populista, e ainda popular entre as franjas mais desfavorecidas da sociedade, Ahmadinejad, após vencer as eleições de 2005, acabaria reeleito em 2009 após uma eleição que gerou acesa polémica.

Dezenas de pessoas morreram e milhares foram detidas na sequência da repressão do movimento de contestação pós-eleitoral liderada por Mahdi Karoubi e Mir Hossein Moussavi, dois candidatos derrotados que denunciaram fraudes maciças e que, hoje em dia, estão confinados a prisão domiciliária.

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