Internacional Africa Shebab somalianos forçam famílias a entregar crianças para doutrinamento

Shebab somalianos forçam famílias a entregar crianças para doutrinamento

Os militantes islamitas somalianos Shebab estão a ameaçar famílias civis para que estas lhes entreguem as crianças para que as possam doutrinar nas suas práticas, denunciou a organização Human Rights Watch (HRW).

Num comunicado, divulgado em Nairobi, a organização de defesa e promoção dos direitos humanos refere que a “campanha de recrutamento” começou em meados de 2017, que ameaçou com represálias as famílias que se recusavam a entregar os filhos.

Segundo a HRW, centenas de crianças já fugiram das casas dos pais para evitarem serem levadas à força pelo grupo afiliado da Al Qaida.

“Nesta impiedosa campanha de recrutamento, os shebab retiram à força as crianças aos pais para que possam servir como militante no grupo armado”, comentou Laetitia Bader, investigadora para África da HRW.

O recrutamento forçado está a ocorrer em três distritos da região de Bay no sul da Somália, controlada maioritariamente pelos shebab que, desde 2015, têm aberto várias escolas religiosas islâmicas na região, visando expandir a sua própria doutrina “sem contacto com o ensino estrangeiro”.

Os chefes tradicionais nos arredores de Baidoa, capital da região de Bay, contaram à HRW que, em Setembro do ano passado, os shebab ordenaram que lhes entregassem dezenas de crianças com idades entre os nove e os 15 anos.

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“Disseram-nos que devíamos apoiar o seu combate, falando de uma maneira muito ameaçadora. Cercaram-nos durante três dias depois de lhes dizermos que teríamos de consultar a nossa comunidade. Deram-nos mais sete dias”, declarou um dos chefes tradicionais, citado pela organização de direitos humanos.

Passado esse período, a comunidade recusou entregar as crianças e os líderes comunitários começaram a receber ameaças de morte e conseguiram levar à força cerca de 50 jovens, rapazes e raparigas, transferindo-as para Bulo Fulay, onde se situam numerosas escolas religiosas e um importante centro de treino militar, indica a HRW.

Apesar de o Governo central somaliano ter tomado medidas para proteger crianças, o HRW considera que deverá “fazer muito mais” para garantir que nenhuma criança seja posta em perigo e garantir segurança às que fogem das suas casas para evitar serem apanhadas pelos shebab, movimento que luta desde 2007 derrubar o regime de Mogadíscio, apoiado pela comunidade internacional.

Os shebab foram obrigados a abandonar Mogadíscio em Agosto de 2011 e perderam grande parte dos seus bastiões.

No entanto, ainda controlam vastas áreas rurais, onde levam a cabo operações de guerrilha e atentados suicida, seja na capital somaliana, seja contra bases militares, nacionais ou estrangeiras.

DN

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