Mais de cem prisioneiros de guerra sudaneses, alguns capturados há vários anos por um grupo rebelde sudanês, foram entregues às autoridades de Cartum, graças a uma mediação do Uganda.
Entre os prisioneiros, encontravam-se soldados do exército governamental sudanês e civis, capturados pelo braço norte do Movimento Popular de Libertação do Sudão (SPLM-N) durante combates nos estados sudaneses de Kordofan do Sul e do Nilo Azul, alguns deles há sete anos e meio.
Desde quinta-feira, 125 prisioneiros foram transferidos de dois locais situados no norte do Sudão do Sul para Kampala, seguiram para Entebbe, onde fica o aeroporto da capital ugandesa, e aí embarcaram num avião com destino a Cartum.
Por sua vez, o exército sudanês saudou hoje a libertação de um grupo de prisioneiros, referindo tratar-se de 127.
O secretário-geral do SPLM-N, Yasir Arman, indicou em conversa telefónica com a AFP que a libertação dos prisioneiros foi um gesto humanitário para “levar felicidade às suas famílias”.
As negociações que conduziram à libertação decorreram sob a égide do Uganda, tendo dado lugar a um diálogo direto entre o Presidente ugandês, Yoweri Museveni, e o seu homólogo sudanês, Omar el-Bechir.
Em conferência de imprensa, um alto responsável do ministério dos Negócios Estrangeiros sudanês, Mohamed Saied Hassan, agradeceu ao Uganda pelo papel desempenhado nas negociações, afirmando que tal “abriu a porta a mais cooperação entre os dois países”.
O mais antigo dos prisioneiros foi capturado em Junho de 2009 e o mais recente há seis meses.
Falando na pista do aeroporto de Entebbe, pouco antes de tomar o avião para Cartum, o oficial de mais elevada patente de entre os prisioneiros, o coronel Lirifat Abdala Ahmed, disse ter sido bem tratado desde a sua captura, em maio de 2013.
“Não houve maus-tratos, nem más atitudes“, afirmou. “Servi durante 25 anos no exército sudanês e agora quero regressar a casa para descansar“, acrescentou.
Os estados de Kordofan do sul e do Nilo Azul estão, como de Darfur, envolvidos desde 2011 em conflitos entre o Governo e rebeldes que se consideram política e economicamente marginalizados.
Dezenas de milhares de pessoas foram mortas e milhões deslocadas nessas regiões onde grupos étnicos minoritários se revoltaram contra um regime dominado pelos árabes.
Em Janeiro deste ano, Cartum prolongou unilateralmente por seis meses um cessar-fogo em vigor desde Junho nesses três estados, mas os combates recomeçaram no final de Fevereiro em Kordofan do sul.
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