A organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu há dias um comunicado no qual anunciou estar a trabalhar sobre uma potencial vacina contra ébola. As primeiras análises arrancam em Setembro próximo.

A nota afirma que a vacina já foi testada em três profissionais de saúde na Libéria e que os resultados foram considerados promissores. A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que fará uma consulta sobre terapias e potenciais vacinas em Genebra, na Suíça, nos dias 4 e 5 de Setembro. Os últimos dados divulgados da pior epidemia de ébola da história apontavam para 2.473 casos já identificados, dos quais 1.350 foram vítimas letais.

Em paralelo a esse tratamento, outras vacinas contra o ébola também estão sendo trabalhadas em outros pontos do mundo. Recentemente, um tratamento considerado promissor chamado ZMapp foi testado em dois missionários norte-americanos que haviam sido infectados na África.

A enfermeira Nancy Writebol e o médico Kent Brantly receberam durante quase três semanas o soro experimental Zmapp à base de um fármaco que ainda não havia sido aplicado nem em seres humanos. O medicamento foi utilizado após obter bons resultados em testes realizados em macacos.

A comunidade médica vem se mobilizando para conter a doença e as autoridades governamentais tem ficado de olho em questões ligadas às fronteiras. Onze países do Oeste da África decidiram adoptar uma estratégia única de contenção do ébola. As autoridades sul-africanas anunciaram na última quinta-feira (21) que suas fronteiras estão fechadas para pessoas procedentes de Guiné, Libéria e Serra Leoa diante do risco da epidemia de ébola.

O mundo está sempre vulnerável a novas ameaças infecciosas, que podem resultar do surgimento de um novo agente infeccioso ou do re-surgimento de um agente antigo em um novo contexto epidemiológico, como explica o infectologista Regis Andrade, professor de doenças infecciosas na UNIRIO.

“A velocidade com que esses agentes se espalham dependerá da resultante entre a facilidade com que são transmitidos e a eficiência das acções de contenção orquestradas pelos órgãos de saúde”, disse.

Comparação com outros surtos epidémicos históricos

O surto de ébola faz lembrar outros momentos históricos complicados, como os casos de surto de, por exemplo, gripe aviaria.

O infectologista diz que a eficiência da resposta dos órgãos de saúde a ameaças infecciosas tende a evoluir positivamente ao longo do tempo, como resultado do aprimoramento das tecnologias de diagnóstico, da facilidade informacional sobre doenças e até mesmo do aprendizado com situações anteriores.

 “No Brasil, podemos observar uma maior velocidade de resposta dos órgãos de saúde do que observamos no caso da Gripe A H1N1 em 2009, no sentido de elaborar orientações para as instituições e profissionais de saúde sobre a doença, antes da chegada da doença no país”, aponta.

O especialista diz também que essa epidemia possui diversas diferenças quando comparada com epidemias mais recentes causadas por outros agentes. Na gripe A H1N1, inicialmente chamada de gripe suína, a letalidade era de cerca de 0,5% e na gripe aviaria, girava em torno de 30 até 50 por cento. As epidemias de ébola, por outro lado pode chegar até próximo de 90 por cento, como explica o infectologista.

Outra diferença considerada crucial é o fato de que para os casos de gripe, já havia medicação antiviral comercialmente disponível para tratamento. No caso do ébola, um possível tratamento ainda se encontra em estudo.

O infectologista lembra também de um detalhe importante sobre o ébola: diferente da maioria das doenças infectocontagiosas, o ébola felizmente não é transmissível durante o período de incubação. “O indivíduo infectado só terá capacidade de transmitir o vírus a partir do momento em que começar a apresentar os sintomas da doença. Esse fato ajuda a conter a disseminação da infecção na população pois facilita a identificação imediata dos potenciais transmissores e isolamento dos mesmos”, explica.