O Ministério da Indústria e Comércio vai continuar a monitorar a estrutura de custos para não haver oportunismo no circuito de comercialização de produtos fortificados, cujo projecto inclui, nesta fase, as farinhas de trigo e de milho e o óleo alimentar.

Segundo Eduarda Zandamela, do Ministério da Indústria e Comércio, os nutrientes adicionados naqueles produtos alimentares representam 0,05 cêntimos de metical por cada quilograma, que é bastante ínfimo para que seja usado como argumento para o encarecimento do preço dos produtos em causa.

Zandamela indicou, a título de exemplo, que toda a farinha de trigo que é consumida na cidade de Maputo já está fortificada com a adição de zinco, ácido fólico, ferro e B12 e não há indicações, até ao momento, de que tenha havido alterações no custo desta. No óleo estão a ser adicionadas as vitaminas A e B.

Com a adição dos nutrientes, segundo indicou, não há alterações quer na cor, assim como no gosto dos alimentos. Uma primeira iniciativa de adição de nutrientes levada a cabo no país é o bem conhecido sal iodado.

Os principais focos da suplementação destes produtos são as províncias de Maputo, Sofala, Nampula e Zambézia, esperando-se que, num futuro breve, se expanda para outros locais em função da capacidade local.

A fortificação dos alimentos, segundo a nossa interlocutora, surge como uma das componentes dos esforços do Governo com vista à redução da desnutrição crónica no país, cujas cifras se situam em 43 por cento e que devem cair para 30 por cento em 2015 e 20 por cento em 2020.

A fonte deu a conhecer que o projecto-piloto iniciou com aqueles três produtos, mas a ideia é que no âmbito das metas do desenvolvimento do milénio que apontam para a redução para abaixo de metade das pessoas que sofrem da desnutrição, poderá expandir-se para outros como a farinha de mandioca (por sinal muito consumida no norte do país) e açúcar que faz parte do quotidiano dos moçambicanos.

A dificuldade neste momento é que a opção tem sido para produtos que passam de algum tipo de transformação industrial e neste momento, no caso da farinha de mandioca, só existe disponível uma única fábrica na Zambézia.

A desnutrição – estado de mal nutrido – não é simplesmente o resultado da insuficiência de comida, mas também da combinação de factores como limitadas de proteínas, energia e micronutrientes, infecções ou doenças frequentes, alimentação inadequadas, serviços de saúde precários e água e saneamento não seguros.

A fortificação dos alimentos vem, deste modo, cobrir a lacuna referente ao défice de energia e micro-nutrientes.

Segundo especialistas, não há negócio que rende mais do que cuidar para que as pessoas não sofram de desnutrição crónica, uma vez que os ganhos aparecem de imediato, quando reduz a morte de crianças menores de cinco anos e mais tarde na forma rendimento escolar, redução da pobreza, aumento dos rendimentos produtivos na ordem de 5 a 50 por cento, empoderamento da mulher e quebra do ciclo intergeracional da pobreza.

A desnutrição em todas as suas formas afecta as camadas mais vulneráveis da sociedade e tem um impacto acentuado nas mulheres e crianças. Dados disponíveis indicam que cerca de 69 por cento de menores de cinco anos tem alguma forma de anemia e a fortificação de alimentos é considerada a estratégia mais sustentável de custo efectivo para a prevenção e controlo das deficiências de micro nutrientes.