Desporto Mambas estreiam com derrota no CAN-Interno

Mambas estreiam com derrota no CAN-Interno

Foi decepcionante ver os “Mambas” estrearem-se no CAN-Interno com derrota frente a África do Sul, por 1-3, em pleno Cape Town Stadium, em partida do Grupo “A”. O que mais doeu aos moçambicanos presentes no majestoso Estádio de Cape Town, ou simplesmente Cidade do Cabo, foi a forma fria como encaram o jogo.Esperava-se uma Selecção Nacional mais aguerrida e despida de muitos preconceitos, o que não aconteceu.

A verdade, porém, manda dizer que estes “Mambas” estiveram muito longe do que nos habituaram. Com o piso escorregadio, a relva foi regada minutos antes do início do embate começar, a rapaziada moçambicana entrou disposta a tapar todos os caminhos que dessem à sua baliza e arrancar em contra-ataques sempre que fosse necessário e possível. Os sul-africanos sabiam do perigo que corriam. E a jogarem em casa e com os olhos do “mundo” sobre si, pior com a presença do seu Presidente da República, puxaram pelos galões, e encostaram os “Mambas” no seu reduto. Só que num esporádico contra-ataque, Diogo, aos 10 minutos, gelou o estádio com um remate traiçoeiro que só foi parar no fundo das redes. Era o golo dos moçambicanos. Que surpresa! Mas é preciso reconhecer que o guardião sul-africano foi traído pelo colega e pelo piso, pois a bola na trajectória bateu no pé dum defesa e mudou de direcção, e ao fazer-se ao lance escorregou e mesmo tocando-a com a ponta dos dedos não foi capaz de a desviar das sua redes. Ninguém queria acreditar no que estava a ver, mas era verdade, Os “Mambas” já venciam mesmo antes do final do primeiro quarto de hora.

Búfalo Ferido!

Os “Bafana-Bafana”, que nem estavam a jogar mal, caíram em cima dos “Mambas”, como se de Búfalo ferido se tratasse. Apercebendo-se disso, os moçambicanos recuaram no terreno e o nervosismo veio ao de cima. Ninguém da parte da nossa Selecção tinha a cabeça fria para comandar o grupo e pedir mais paciência. Eram passes mal feitos e muitos deles interceptados pelo adversário. Shabalala mudou de flanco, passando da direita para a esquerda, onde Moniz não o conseguia travar, uma vez que tinha sempre alguém para fazer a tabela em progressão e junto do enfiamento da área lançar cruzamentos em arco para o miolo da área à procura dum companheiro que pudesse, de cabeça, meter a bola no lugar mais apetecido, claro na baliza de Soarito. Numa dessas jogadas flanqueadas, Shabalala, do lado esquerdo, colocou o esférico milimetricamente na cabeça do irrequieto Parker que, entre os dois centrais moçambicanos, cabeceou muito chegado à baliza de Soarito, mas o esférico ganhou altura e passou por cima do travessão. Com esta forte pressão e com o terreno escorregadio, os “Mambas”, a pouco e pouco, foram cedendo. Já defendiam à entrada da área, mas sem, contudo, taparem os espaços vazios que os sul-africanos abriam com jogadas ao primeiro toque. As percas de bola da nossa parte eram constantes. A equipa não conseguiu sair do sufoco. Estava partida ao meio. Sonito, sozinho lá na frente, não recebia bolas jogáveis. Nem as transações para o ataque, como naquele golo de Diego, já aconteciam. O perigo junto à nossa baliza era eminente. Por duas vezes, os sul-africanos estiveram perto de marcar, com a jogada de maior perigo a pertencer a Parker, que na cobrança de um livre, na meia lua, a castigar falta de Dário, fez com que o esférico passasse a escassos centímetros do poste esquerdo de Soarito.

Finalmente a Igualdade!

Já era de esperar. O jogo nessa altura só tinha um sentido. O campo estava “inclinado” para a baliza moçambicana. Numa jogada rápida de entendimento dos sul-africanos, Miro vai ao encalce da bola com Vilakazi, este cai mesmo sobre a marca de grande penalidade. O lance deixou muitas dúvidas, mas o árbitro, ali pertinho, assinalou para a marca de grande penalidade, considerando falta do moçambicano. Parker, chamado a cobrar, fê-lo com mestria, levando Soarito para um lado e a bola para o outro. Era autêntica explosão. Os cerca de 35 mil expectadores “explodiram” de alegria. Era o empate (1-1). O golo espevitou ainda mais os sul-africanos que passaram a jogar mais soltos e confiantes depois daquele susto inicial. Shabalala era autêntico “vagabundo”, muito por culpa dos moçambicanos que o deixaram jogar a seu belo prazer. E aos 34 minutos voltou a fazer estragos. Soltou-se da marcação de Moniz. Galgou terreno e junto à linha de fundo cruzou com alguma inteligência. Mashego, em linha com a defesa, foi mais rápido para a bola e desviou-a para longe de Soarito. Felizmente o poste estava lá para salvar. Na recarga ninguém apareceu, senão a defesa a rechaçar para longe. Este foi o último lance digno de registo antes do intervalo, que só serviu para os sul-africanos se reorganizarem ainda melhor.

O Xeque-Mate

O segundo tempo foi duro para os “Mambas”. Os sul-africanos regressaram para o terreno com outra postura. Não querendo nada de surpresas, abriram o livro, perante uma equipa que ainda transportava na cabeça um “monstro” chamado África do Sul, que quanto a mim de “monstro” não teve nada no jogo de sábado à noite. Uma equipa que teme o adversário tal como Moçambique o fez frente a África do Sul nada podia esperar senão sair do Cape Town Stadium cabisbaixo. Logo à entrada do segundo tempo, antes do primeiro minuto se esgotar, Parker fugiu da marcação dos centrais moçambicanos e cara-a-cara com Sorito, permitiu que este ficasse com o esférico, arrojando-se nos seus pés. Era forte aviso à navegação, porque momentos depois, aos 13 minutos, veio a confirmação da superioridade sul-africana em campo. Os “Bafana-Bafana” saíam para o ataque sem grande perigo. Só que Kekana, um metro sensivelmente depois da linha divisória do meio campo, arrancou um portentoso remate. Soarito, não se sabe o que estava fazendo, só que, na verdade, viu o esférico na cara a passar como se de um míssil se tratasse. E… lá estava dentro. Sinceramente que não compreendi como é que um remate àquela distância pode trair um guarda-redes bem experimentado como Soarito, que quanto a mim já fez melhores exibições e de se lhe tirar o chapéu. Mas, são coisas da bola como costumam dizer os que poucos argumentos têm para sustentarem este tipo de debates. Daí para a frente os “Mambas” perderam completamente a cabeça. Tentaram inda forçar a barra, mas sem nenhum estilo de jogo capaz de mudar o rumo dos acontecimentos. E para a infelicidade dos moçambicanos, Parker ainda deu gosto ao pé, aos 37 minutos, num lance em que novamente a defensiva tem culpas no cartório. A jogada desenrola-se do lado direito do ataque dos “Bafana-Bafana” e Parker aparece do lado contrário sozinho a atirar para o ângulo mais próximo. Era o fim do sonho de Moçambique começar bem neste CAN-Interno.

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A equipa de arbitragem cometeu alguns erros de visão que poderiam ter comprometido o seu trabalho. No lance de penalte ficaram algumas dúvidas. E quando é assim cabe a ele decidir no que viu. E acabou castigando Moçambique.

Abertura ao nível de um CAN-Interno

A ÁFRICA do Sul já demonstrou que é uma potência a nível do mundo. Fê-lo em várias ocasiões, principalmente quando recebeu o Campeonato o Mundo de Futebol em 2010. No sábado voltou a promover uma cerimónia de abertura ao nível desta competição – CAN-Interno – sem grandes invenções, mas carregada de muita luz e calor. Foi a primeira de grande dimensão depois da morte de Mandela. Aliás, os sul-africanos até dizem de boca que cheia que o vier a acontecer aqui na África do sul de hoje em diante é em homenagem a Madiba.

Dario Khan foi o melhor

NO jogo de sábado, frente a África do Sul, houve, quanto a mim, jogadores que se destacaram pela positiva, e um deles foi Dário Khan, por sinal o “capitão”. Dário esteve bem em campo. Lutou que se fartou, comandou a defesa e manteve ordem e tranquilidade necessárias, ao ponto dos adversários o respeitarem. É isto que se pretende de um jogador moçambicana. É certo que Dário Khan transporta muita experiência internacional, mas há outros tantos nesta mesma Selecção que continuam a não transmitir aquela confiança necessária aos mais novos. Nesta mesma onda, dos positivistas, há ainda a destacar o papel de Sonito, que muito bem soube prender as defesas contrários, pena que não teve o apoio necessário. Soarito foi outro que teve boas exibições, mas que são, no fundo, apagadas por aquele golo lá do meio campo. Diogo também esteve em evidência por ter marcado o golo, mas continua com muitos problemas de posicionamento no campo. Ou por outra, não defende e vezes sem conta deixa o colega do corredor em situações de apuros. Que o diga Moniz, o quanto sofreu por ter um companheiro de corredor como Diogo!

Ambos de Luto!

AS duas selecções, de Moçambique e da África do Sul, jogaram de luto no sábado pelas perdas de figuras incontornáveis na vida desportiva e política dos respectivos países, e não só. Os “Mambas” em memória de Eusébio, futebolista moçambicano que se destacou ao serviço do Benfica de Portugal e da selecção portuguesa, e os “Bafana-Bafana” em homenagem a Nelson Mandela, figura incontornável a nível do mundo. Aliás, antes do início do jogo, todo o estádio ficou em sentido para homenagear (minuto de silêncio) estas duas figuras.

Diogo entra para história

O esquerdino Diogo, do Ferroviário de Maputo, vai entrar para história das provas organizadas pela CAF. O moçambicano, apesar de Moçambique ter perdido, por 1-3, frente a África do Sul, constará dos livros da Confederação Africana de Futebol por ter marcado o primeiro golo desta terceira edição do CAN-Interno.

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