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Homens da Renamo confrontam-se com exército em Homoíne

Homens armados alegadamente da Renamo estão a confrontar-se com o exército no distrito de Homoíne, segundo afirmou à Lusa o coordenador de uma rádio local, naquele que é o primeiro incidente do género registado na região sul de Moçambique.

Segundo Berlaves Alexandre, os confrontos iniciaram-se na madrugada de hoje, no posto de administrativo de Pembe, a cerca de 45 quilómetros da sede distrital de Homoíne, na província de Inhambane, havendo já a indicação da existência de feridos.

“Os confrontos começaram na madrugada de hoje e, nesta altura, já estão a retirar feridos”, disse hoje Berlaves Alexandre, em declarações à agência Lusa.

O coordenador da Rádio Comunitária de Homoníne explicou que os incidentes surgiram na sequência da instalação, a partir do dia 31 de dezembro, de homens armados alegadamente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, oposição) na região de Pembe.

Na segunda-feira, a força conjunta exército e Força de Intervenção Rápida (FIR) terá chegado ao local.

Até hoje, os confrontos entre elementos da Renamo e as forças de segurança de Moçambique estavam circunscritos à província central de Sofala, à exceção de incidentes de pequena escala registados na província nortenha de Nampula.

A imprensa moçambicana noticiou, ao longo dos últimos dias, que a população de Pembe estava a abandonar a região com receio de possíveis confrontos.

“Quando chegaram lá, os homens foram-se apresentar aos líderes tradicionais e pediram que eles fizessem cerimónias para os defuntos sobre a presença deles. Entretanto, a população começou a abandonar o local com receio”, avançou o responsável.

Berlaves Alexandre disse ter entrevistado alguns dos homens armados, que lhe disseram que “não estavam ali para fazer mal a ninguém, mas para monitorar o recenseamento eleitoral” para as eleições gerais de outubro, que arranca em março.

Segundo o jornalista, em Pembe encontrar-se-iam cerca de 50 homens armados, mas “o grosso”, várias centenas, estarão concentrados junto à antiga base provincial da Renamo, que a imprensa moçambicana dá como “reativada”.

O responsável disse ainda que foram contactados por “um elemento do governo provincial de Inhambane”, no sentido de não noticiarem ao longo do dia de hoje informações sobre a situação que se vive em Pembe.

“Foi-nos pedido que não noticiássemos durante o dia de hoje, porque ia haver uma ação, que não explicaram de que tipo. Agora percebemos que era uma ação militar”, concluiu.

Durante a guerra civil moçambicana o distrito de Homoíne foi palco de um massacre protagonizado pela guerrilha da Renamo, em que terão morrido cerca de 400 pessoas.

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