A alfabetização de adultos em Moçambique tem vindo a contribuir de forma significativa para a consciencialização dos pais e encarregados de educação que, por seu turno, acabam por mandar os seus filhos à escola, particularmente do sexo feminino.

Este dado foi avançado numa mesa redonda sobre metodologias de alfabetização para o século XXI, havida hoje, em Maputo, e que contou com a presença do director nacional da alfabetização de adultos, Arlindo Nhacune, e o director do Dvv Internacional, um Instituto de Cooperação Internacional da Associação Alemã para Educação de Adultos, David Harrington.

Em Moçambique, a taxa de analfabetismo é de 48 por cento. Com 66,6 por cento a província de Cabo Delgado é a que apresenta o pior índice de analfabetismo, contrastando com a cidade de Maputo que conta apenas com 9,8 por cento.

Em Moçambique, o analfabetismo afecta de uma forma desproporcional a mulher.

Durante o encontro foi apontado a Manhiça, na província de Maputo, como um dos distritos que se tem evidenciado a consciencialização dos adultos.

“Os pais já estão consciencializados e isso muda a forma como lidam com as crianças em casa. Já não há muitos os casos em que apenas os rapazes vão a escola e as meninas fazem os trabalhos de casa”, disse Edgar Andrade, representante da Associação das Mulheres Desfavorecidas na Indústria Açucareira (AMUDEA).

Andrade sublinhou que as aulas têm ocorrido em língua local, com vista facilitar a compreensão das pessoas.

Por seu turno, Nhacune disse que para reduzir o problema de alfabetização urge o envolvimento de todos os moçambicanos.

“Temos que envolver os estudantes, porque acreditamos que em cada família existe um aluno. Esperamos que os estudantes encarrem esta tarefa e a partir daí ajudem os seus familiares e vizinhos,” disse a fonte.

Nhacune reiterou que um dos maiores desafios do Ministério da Educação é alfabetizar um milhão de pessoas anualmente.

Comentando sobre o assunto, Harrington disse que atingir estes números se afigura uma tarefa difícil com o orçamento actualmente disponibilizado ao sector da educação.

“Não é fácil educar um milhão de pessoas por ano com o orçamento de um milhão”, disse o director do Dvv Internacional.