Rosário Fernandes, que falava na abertura do ano lectivo 2013 daquela instituição, defende que o binómio instrução-formação funciona e sempre funcionou como factor legitimador e diferenciador de determinada condição intelectual, socio-económica e instituinte da sociedade do conhecimento.

Com suporte numa pesquisa sobre emprego e estudo do mercado do trabalho, o presidente da AT disse que nas empresas do sector formal há uma ligação incipiente entre a capacidade humana disponível e as crescentes necessidades do mercado de emprego, onde os trabalhadores qualificados fazem a preferência dos empregadores.

Segundo ele, a educação técnico-profissional e a formação são áreas de enfoque do Estado através de escolas públicas e centros de formação administrados por diferentes ministérios, na especialidade, embora nesta altura comece a ser notório o interesse do sector privado por aquela área.

No contexto da história de educação em Moçambique, o orador referiu que em 1975 a taxa de analfabetismo no país rondava os 95 por cento, dos cerca de oito milhões de habitantes então existentes. Hoje, dos mais de 24 milhões de moçambicanos apenas 120 mil frequentam os 42 estabelecimentos de Ensino Superior existentes no país.

“O ponto é, das 42 instituições de ensino existentes quantas primam pela vocação curricular, científica, académica e de especialidade para que foram autorizados e estabelecidas por lei?”, questiona o orador.

Dirigindo-se em particular à comunidade do ISPG, Rosário Fernandes desafiou aquela comunidade a desenvolver uma capacidade de se inserir no meio em seu redor.

Uso de tecnologias de ponta: Falta de habilidades refreia desenvolvimento

“O facto de o instituto se localizar no vale do Limpopo capitaliza a sua estratégia de formação. É preciso interpretar as calamidades naturais como fenómeno drástico, mas também como oportunidade científica e tecnológica. Há que investigar e pesquisar para melhor aconselhamento científico e menos empírico aos agentes económicos públicos e privados e os camponeses. Também é importante que se acautele futuras catástrofes, estabelecer sistemas hidráulicos de represamento e irrigação sustentáveis ou até a descoberta de técnicas e soluções de mitigação ou debelamento dos seus impactos”, disse.

Sobre os desafios que se colocam à instituição, Rosário Fernandes disse ser necessário verificar se as opções curriculares se conformam com o Plano Económico e Social; estabelecer cursos, especialidades e módulos mais de vocação curricular do que de vocação afectiva capazes de gerar habilidades individuais e estimular a procura externa dos graduados.

Além disso, segundo o orador, o instituto precisa assistir o vale do Limpopo, o sistema de regadio e outras zonas do país em técnicas de aproveitamento da água na época das cheias, para acautelamento da época do sequeiro.

“É preciso influenciar a concepção de estratégias para melhorar o aproveitamento dos recursos naturais de que o país dispõe, mas sobretudo produzir currículos e créditos que sejam compatíveis com práticas internacionais e adoptar parcerias para desenvolver esses objectivos estratégicos”, sublinhou.

O ISPG localiza-se no distrito de Chókwè, em Gaza, e foi criado através do Decreto 30/2025, do Conselho de Ministros. Como vocação aquela instituição forma profissionais empreendedores e funciona como centro de técnicas e de negócios para agricultura e agro-pecuária e para apoio aos camponeses.

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