Politica LDH regista aumento de denúncias de tortura envolvendo agentes da Polícia

LDH regista aumento de denúncias de tortura envolvendo agentes da Polícia

Os dados, apresentados ontem, em Maputo, no início da 1ª Conferência Nacional sobre o papel da Polícia num Estado Democrático e de Direito – o caso de Moçambique – indicam que continuam igualmente preocupantes os casos de tortura nas esquadras, abuso de poder, extorsão aos cidadãos indefesos por parte dos agentes da polícia, o uso desproporcional da força e a recorrente denegação/impedimento do exercício de direitos e liberdades.

Para estes casos, a LDH aponta que moveu acções judiciais em defesa dos cidadãos vítimas de abuso dos direitos humanos perpetrados pelos agentes da lei e ordem. Contudo, segundo a LDH, de 2002 a 2008 houve o registo positivo de redução drástica de casos de execuções sumárias, na ordem de 87 por cento.

Para Alice Mabota, esta Conferência visa responder a crescente preocupação dos cidadãos com relação a actuação policial que está a levar a uma situação de corrosão exponencial da sua confiança junto da sociedade, no que diz respeito ao papel da polícia numa sociedade aberta como a nossa.

LDH regista aumento de denúncias de tortura envolvendo agentes da Polícia

“A imagem da Polícia encontra-se profundamente desgastada por diversos motivos. Muitas vezes a polícia é associada a graves violações de direitos humanos, como sejam, execuções sumárias, torturas, detenções arbitrárias, etc. Vários relatórios nacionais e internacionais a colocam como uma das que mais viola os direitos fundamentais dos cidadãos. Assim, há necessidade de mudar a forma de actuação da nossa polícia, bem como mudar as percepções que a sociedade tem sobre a nossa polícia” – apontou Alice Mabota.

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Por seu turno, Eduardo Mussanhane, Comissário da Polícia, disse que impõem-se que de forma célere, a Polícia adquira as qualificações necessárias capazes de levar á institucionalização duma corporação de natureza administrativa, na qual, as funções básicas de manutenção da ordem pública e controlo criminal se juntam as noções mais modernas relacionadas ao apoio e à comunhão de interesses e valores com as comunidades locais.

“O grande desafio é prosseguir com as reformas iniciadas visando superar o paradigma da Polícia Popular de Moçambique, ou seja, prosseguir com as reformas legais, mudança de concepção de Polícia Reactiva, prosseguir com reformas no campo das ocupações profissionais e acções de formação” – afirmou Mussanhane.

A Conferência sobre Polícia que hoje termina é organizada pela Liga dos Direitos Humanos em parceria com o Ministério do Interior, e nela tomam parte agentes da polícia de todas as províncias, magistrados judiciais e do Ministério Público, membros das organizações da sociedade civil, representantes da comunidade internacional baseadas no nosso país, e representantes da imprensa.

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