Capa Igreja em Moçambique clama por justiça após assassinato de bispo de Quelimane

Igreja em Moçambique clama por justiça após assassinato de bispo de Quelimane


O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique, Dom Inácio Saúre, manifestou a necessidade urgente de respostas das autoridades sobre o assassinato do bispo da Diocese de Quelimane, Dom Osório Citora Afonso, ocorrido na madrugada de 6 de Junho.

Meses após o crime, a falta de informação acerca dos responsáveis e das motivações por trás do homicídio tem suscitado inquietação entre os cidadãos moçambicanos.

Dom Osório Citora Afonso foi brutalmente assassinado na sua residência pastoral, e o caso permanece sem resolução. O arcebispo de Nampula, Dom Inácio Saúre, questionou: “Quem foram os mandantes, portanto o autor moral, o autor material, as motivações do cobarde e bárbaro assassinato do humilde homem de Deus e do povo?”

A morte do bispo é considerada por Dom Inácio como um episódio que agrava a dor da sociedade moçambicana, acrescentando que este crime “odioso abriu mais um vale de lágrimas muito profundo para os moçambicanos”.

Além disso, o arcebispo expressou preocupações em relação aos riscos que enfrentam aqueles que se pronunciam sobre a situação do país. Ele defendeu que a liberdade de expressão em Moçambique pode ser bastante arriscada, destacando que “ousar dizer a verdade sem esconder a cara constitui um grande risco, o risco da própria vida”.

Recomendado para si:  Ferroviário de Maputo conquista tetracampeonato no basquetebol feminino

As suas declarações foram feitas durante a cerimónia de graduação de 690 estudantes da Universidade Católica de Moçambique, em que Dom Osório também exercia a função de administrador apostólico da Arquidiocese da Beira.

Entretanto, Wilker Dias, director executivo da organização da sociedade civil Plataforma Decide, alertou para o agravamento da insegurança no país, criticando a falta de respostas por parte das instituições governamentais sobre diversas situações de mortes e desaparecimentos. O responsável citou casos como a morte de agentes da polícia e o desaparecimento do jornalista Arlindo Chissale, enfatizando que a ausência de esclarecimentos alimenta um crescente sentimento de insegurança.

Neste contexto, Wilker Dias defendeu um engajamento mais ativo da sociedade civil na documentação de eventos e na exigência de respostas. Ele ressaltou a necessidade de solidariedade entre organizações nacionais, regionais e internacionais para garantir a protecção de activistas e defensores dos direitos humanos em situações vulneráveis.

As suas observações foram proferidas em Maputo, no encerramento de um simpósio regional dedicado à governação, pesquisa e colaboração entre organizações da sociedade civil. O evento resultou no lançamento do Movimento das Mulheres Moçambicanas Defensoras dos Direitos Humanos, sublinhando o papel da tecnologia na promoção da boa governação e na defesa da democracia.

Destaques da semana