O governo de Moçambique anunciou a intenção de impor restrições no uso da água para assegurar que esta seja priorizada para o consumo humano, questões de saúde, produção alimentar crítica e abastecimento de água para gado, face ao agravamento das carências hídricas provocadas pelo fenómeno climático El Niño, que deverá resultar em severas secas nas regiões sul e central do país.
As últimas previsões do governo indicam um fortalecimento do El Niño nos próximos meses. Ao mesmo tempo, a perspectiva climática da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) aponta para uma maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte de Moçambique entre Outubro e Dezembro, elevando os riscos de seca, redução do caudal dos rios e pressão sobre os sistemas de abastecimento de água.
Num comunicado, o gabinete de imprensa do governo (GABINFO) explicou que esta medida faz parte de um plano preparado para mitigar os impactos do El Niño durante a época chuvosa de 2026/2027. O plano contempla o monitoramento dos níveis de reservatórios, fluxos nos principais rios e níveis de água subterrânea, de forma a possibilitar uma resposta antecipada a uma eventual redução na disponibilidade de água.
“Em situações de escassez, poderão ser adoptadas restrições graduais para usos de menor prioridade. A gestão dos recursos hídricos deve estabelecer progressivamente prioridades para a utilização da água. Os usos prioritários incluem o consumo humano, saúde, produção alimentar crítica e abastecimento de água para o gado, num cenário em que se prevê a intensificação do El Niño e chuvas abaixo do normal em grande parte de Moçambique”, refere a nota.
Segundo o documento, o governo planeia reforçar no sector agrícola as medidas de adaptação, nomeadamente através do uso de sementes resistentes à seca, agricultura de conservação, extensão agrícola e irrigação em pequena escala em locais onde existem fontes hídricas sustentáveis, bem como a preparação de pontos de abastecimento de água para gado.
“As autoridades também pretendem garantir que os estabelecimentos de saúde, escolas e outras infraestruturas estratégicas possuam planos de contingência e reservas mínimas para manter as operações durante períodos de interrupção ou redução do abastecimento de água”, destaca o comunicado.
O Ministério das Obras Públicas, Habitação e Recursos Hídricos revelou que o país já assegurou 125 milhões de dólares para mitigar os efeitos do fenómeno. O plano visa proporcionar assistência alimentar de emergência a 343.773 pessoas, correspondendo a cerca de 68.755 famílias, enquanto medidas de proteção social deverão abranger cerca de 234.000 famílias.
No sector agrícola, estão previstas intervenções para mais de 155.000 agricultores e 90.500 criadores de gado.















