Os transportadores do sector semi-colectivo de passageiros da região do Grande Maputo continuam a manifestar dúvidas em relação ao subsídio anunciado pelo Governo para compensar os operadores, em resposta ao aumento dos custos dos combustíveis.
Apesar das promessas de apoio financeiro às categorias elegíveis, muitos transportadores afirmam que, meses após a submissão da documentação necessária, ainda não receberam qualquer valor.
Após percorrer diversas paragens na província e cidade de Maputo, a reportagem apurou que a frustração e a descrença são sentimentos comuns entre os operadores. Muitos asseguram ter cumprido todos os procedimentos administrativos exigidos, mas o subsídio permanece apenas nas declarações oficiais.
Um transportador que preferiu não se identificar, na paragem da rota Novo Cemitério-Guava, no Município de Marracuene, lamentou nunca ter beneficiado de qualquer apoio do Estado. Com mais de duas décadas de actividade no sector, referiu que tem assistido a sucessivos anúncios de medidas de apoio que nunca se concretizaram. “Em nenhum momento subsidiaram. Estou há 26 anos neste sector e nunca vi esse subsídio”, destacou.
O transportador defendeu que, caso os proprietários das viaturas estivessem a receber os valores anunciados, motoristas e cobradores estariam cientes, uma vez que são eles que fornecem os dados para os processos de cadastro. Na sua perspectiva, o Governo deveria ter actualizado as tarifas dos transportes em vez de prometer um subsídio que continua, segundo ele, sem materialização para a maioria dos operadores. “Subiu o combustível. Deviam deixar o chapa aumentar o preço. Tudo aumentou. A mercearia e o mercado também, mas nós continuamos a trabalhar nas mesmas condições”, afirmou.
Além disso, ressaltou que a discussão sobre o licenciamento das viaturas não deve excluir uma parte significativa dos operadores. Muitos enfrentam dificuldades em cumprir certos requisitos administrativos, mas continuam a prestar o serviço de transporte à população. A situação destaca a necessidade de uma abordagem mais inclusiva e eficaz para apoiar os transportadores, especialmente em tempos de crise.















