O Presidente da República de Moçambique, Daniel Chapo, garantiu que o Governo está a prestar assistência contínua aos cidadãos moçambicanos que regressam da África do Sul, consequência dos recentes actos de xenofobia. O apoio abrange transporte, alimentação, acolhimento e integração socioeconómica.
Durante uma conferência de imprensa em Dar es Salaam, onde participou como Convidado de Honra na 50.ª Feira Internacional de Comércio, o Chefe do Estado expressou solidariedade às vítimas da violência xenófoba. O Presidente informou que foram mobilizadas equipas consulares em várias cidades da África do Sul, incluindo Joanesburgo, Pretória, Cidade do Cabo, Nelspruit e Durban, bem como uma equipa na fronteira de Ressano Garcia para receber os repatriados.
Segundo Chapo, o Executivo está a assumir a logística do repatriamento, garantindo também o encaminhamento dos cidadãos para as suas províncias de origem, nomeadamente Gaza, Inhambane, Maputo e Manica. Em colaboração com a Embaixada do Malawi em Maputo, as autoridades moçambicanas estão também a apoiar os nacionais malawianos que utilizam Moçambique como corredor para o seu regresso.
A resposta governamental está a ser coordenada por uma equipa multissectorial que inclui o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres, o Serviço Nacional de Migração, e outras instituições relevantes. O processso inclui, ao chegar, a oferta de uma refeição quente e um triagem que visa registar as competências dos repatriados.
O Presidente Chapo destacou que este levantamento de competências tem como objectivo facilitar a inserção dos repatriados no mercado de trabalho. O Governo tem como prioridade integrá-los em projectos nacionais, especialmente em sectores como o petróleo e gás. Adicionalmente, recordou que Moçambique mantém acordos de mobilidade laboral com Portugal e os Emirados Árabes Unidos, que poderão beneficiar os cidadãos que retornam.
Desde o início do acordo com Portugal, cerca de 800 jovens moçambicanos foram colocados em emprego naquele país, incluindo aproximadamente 200 motoristas. Neste momento, decorre a selecção de mais 300 trabalhadores para atender à procura no mercado português. Relativamente aos Emirados Árabes Unidos, o novo modelo de recrutamento através do Instituto de Emprego e Formação Profissional resulta em progressões rápidas de carreira para os jovens enviados.
O Presidente concluiu que o levantamento das competências dos repatriados permitirá criar uma base de dados estratégica, facilitando a sua integração em oportunidades de emprego, tanto em Moçambique como noutros países que colaboram laboralmente com o Estado moçambicano. Muitos destes trabalhadores possuem experiência consolidada e domínio da língua inglesa, factores que podem incrementar a sua empregabilidade.















