O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Ruanda, Olivier Nduhungirehe, anunciou que o governo moçambicano assegurou os fundos necessários para que as tropas ruandesas possam prosseguir a sua missão de combate ao terrorismo islâmico em Cabo Delgado, uma vez que a União Europeia (UE) não pretende renovar o seu apoio financeiro.
As Forças Ruandesas foram deslocadas para o norte de Moçambique em 2021 a pedido do governo moçambicano, com o objectivo de apoiar a luta contra os terroristas que operam na região. Segundo Nduhungirehe, na sua publicação na plataforma X (anteriormente conhecida como Twitter), a UE, que financia parcialmente a missão de contra-insurgência, mostrou-se reticente em continuar a fornecer o apoio financeiro.
“Este ano, o Ruanda decidiu tratar exclusivamente com o governo de Moçambique, que, por sua vez, assegurou e continuará a assegurar o financiamento necessário para as forças de segurança ruandesas em Cabo Delgado”, escreveu Nduhungirehe.
O Ministro não especificou a quantia garantida, e o governo moçambicano ainda não se pronunciou sobre a questão. Em Março, as autoridades ruandesas haviam declarado a intenção de retirar as suas tropas “se não forem garantidos fundos internacionais para sustentar a missão de contra-insurgência”.
Até ao momento, o Ruanda recebeu cerca de 20 milhões de euros (23 milhões de dólares norte-americanos à taxa de câmbio actual) em apoio da UE para a operação em Moçambique, um valor que as autoridades ruandesas consideram ser “uma fracção do custo suportado por Kigali, que é, pelo menos, dez vezes superior”.
A insurgência em Cabo Delgado, que iniciou em 2017, levou à suspensão das obras do projecto de gás natural liquefeito (GNL), liderado pela empresa francesa TotalEnergies. Contudo, a ação das forças de defesa e segurança moçambicanas e dos seus aliados ruandeses, particularmente nos distritos estratégicos de Palma e Mocímboa da Praia, permitiu que a TotalEnergies levantasse o estado de força maior que havia declarado em 2021.
Em Janeiro deste ano, a empresa francesa de energia e o governo moçambicano acordaram retomar a construção do projecto.

















