O governo moçambicano reiterou que não existe risco de escassez de combustível, apesar das longas filas de veículos junto das bombas de gasolina na cidade de Maputo e em outras localidades.
Abida Patel, directora de operações da Importadora de Petróleo de Moçambique (IMOPETRO), afirmou que o combustível está disponível nos quatro terminais oceânicos do país, garantindo que a situação está sob controle, mesmo com os impactos do conflito armado originado pela agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
O estreito de Ormuz, responsável pela circulação diária de quase 20% das vendas de petróleo a nível mundial, encontra-se bloqueado, impedindo a passagem de embarcações que transportam gás e petróleo. Cerca de 80% das importações de combustível de Moçambique dependem de rotas ligadas a este estreito, o que torna o impacto da guerra no Médio Oriente potencialmente desastroso para a economia nacional.
Em declarações à Rádio Moçambique, Patel explicou que o país suspendeu a importação de combustível do Médio Oriente devido ao bloqueio do estreito e começou a explorar outras rotas de abastecimento. “Uma grande parte do combustível era proveniente do Médio Oriente, mas devido ao bloqueio, o fornecimento foi desviado para outros mercados. Apesar das alterações nas rotas de fornecimento, o país continua a receber remessas regulares”, afirmou.
Patel apelou à população para manter a calma, uma vez que a afluência a postos de combustível tem gerado preocupações de que os stocks possam esgotar. “Não há motivo para pânico. Os cidadãos devem abastecer normalmente, sem a necessidade de acumular”, frisou.
Reconhecendo os desafios impostos pelos choques internacionais, Patel admitiu que a logística de fornecimento tem sido afectada, resultando no aumento dos custos de transporte. “Enquanto anteriormente o transporte levava cerca de 15 dias, agora demora mais 10 dias. Mesmo assim, eventuais atrasos não devem comprometer o abastecimento do país.”
No entanto, devido a essas constrições, os custos de importação tendem a aumentar, o que pode pressionar as empresas do sector. “A conta de importação aumenta e as empresas necessitam de maior liquidez para cobrir estes custos.”
Apesar do otimismo de Patel, motoristas em Maputo manifestam receios quanto à possibilidade de rutura de abastecimento de gasolina e gasóleo. Nos últimos quatro dias, têm-se observado longas filas nas bombas. Esta situação não se trata de “acumulação”, como sugerido por Patel, mas sim de uma tentativa legítima dos automobilistas de garantir que os seus veículos se mantenham nas estradas.
Relatos de falta de combustível chegam também de várias outras cidades, com a principal exceção a ser a cidade de Pemba, na província de Cabo Delgado, onde todas as estações de serviço operam normalmente.
Uma medida do governo para mitigar a crise foi a suspensão das ligações contratuais entre distribuidores de combustíveis e retalhistas. Em uma “medida excepcional”, o Ministério de Recursos Minerais e Energia autorizou os pontos de venda a adquirir combustível de qualquer distribuidor que disponha de stocks, independentemente dos acordos contratuais prévios.
Ainda não é claro qual será o impacto dessa medida. O despacho do Ministério também apelou à calma e desencorajou a acumulação, pedindo aos motoristas que não adquiram mais combustível do que o estritamente necessário.















