No Hospital Central de Maputo (HCM), as consultas externas requerem agendamento prévio, abrangendo várias especialidades, desde a medicina clínica até cirurgias.
Centenas de cidadãos têm usufruído deste serviço, necessário para o controle de doenças crónicas que demandam acompanhamento regular.
No departamento de cirurgia vascular, as consultas são estabelecidas com um intervalo de quatro meses. Após uma consulta realizada em Janeiro, os pacientes aguardam até Maio para um novo encontro. Contudo, nem todas as situações de saúde podem esperar por tanto tempo, o que leva a situações de urgência.
Recentemente, um grupo de pacientes, incluindo uma pessoa que esperava um novo diagnóstico, procurou atendimento numa data diferente da agendada. O médico que prescreveu a consulta alertou sobre a urgência da situação, indicando que havia necessidade de um acompanhamento imediato para evitar complicações que poderiam surgir devido a interacções medicinais.
Ao chegarem à recepção do departamento de cirurgias, receberam a informação de que poderiam ter uma consulta urgente no dia seguinte às 7h30. Contudo, a taxa exigida era de 900 meticais. Diante da indignação da equipe de doentes, a administradora reafirmou as regras do hospital, que estipulavam o pagamento da taxa ou a espera até a data previamente agendada.
Os pacientes lamentaram a imposição de tais condições num hospital público, questionando como é possível que o acesso ao atendimento esteja atrelado a aspectos financeiros. Desse modo, sentiriam que, sem recursos económicos, seriam forçados a enfrentar as longas filas de espera nas urgências, que podem ultrapassar seis horas.
Embora não sejam especialistas em saúde, os cidadãos expressam preocupações sobre a gestão das consultas, sugerindo que casos com urgência real não deveriam ser necessariamente tratados nas urgências, mas sim nas consultas externas. A proposta seria que o hospital elaborasse uma lista de exceções que permitisse um atendimento mais célebre para situações que, embora não sejam de emergência total, não podem ser adiadas.
Os pacientes foram, então, direcionados às urgências, onde pagaram a taxa moderadora, apenas para relatar um problema que já estava sob o âmbito do hospital. A médica das urgências, ao perceber a situação, fez o contato com um cirurgião vascular, agendando uma nova consulta para quatro dias depois.
A questão que persiste é a necessidade de um sistema que permita maior flexibilidade no atendimento a casos que fogem da rotina, sem impactar as finanças dos pacientes. O dilema entre dinheiro e direito à saúde torna-se uma realidade difícil de ignorar no contexto dos serviços de saúde pública em Moçambique.














