Destaque Operação da Interpol resulta em mais de 3.700 detidos e envolve Moçambique

Operação da Interpol resulta em mais de 3.700 detidos e envolve Moçambique

A Interpol desencadeou uma operação denominada “Liberterra III”, focada em redes criminosas de imigração, entre os dias 10 e 21 de Novembro de 2025, abrangendo 119 países, incluindo Moçambique. 

Esta acção resultou na detenção de um total de 3.744 suspeitos, dos quais mais de 1.800 foram apanhados por crimes relacionados com o tráfico de pessoas e o contrabando de migrantes.

Durante a operação, foram protegidas 4.414 potenciais vítimas de tráfico de seres humanos e identificados 12.992 migrantes irregulares. Mais de 14.000 agentes de segurança participaram na iniciativa, que culminou na abertura de mais de 720 novas investigações, muitas das quais ainda estão em andamento.

Um comunicado da Interpol revelou que Moçambique está implicado em um caso de recrutamento de uma menor de oito anos para tráfico de órgãos. O relatório destaca que vários países africanos apresentam números alarmantes, como o Mali, onde foram identificadas 47 mulheres nigerianas vítimas de tráfico humano, levadas para o país com fins de exploração sexual.

As operações da Interpol, em colaboração com as autoridades policiais de cada país, permitiram a intercepção de uma embarcação superlotada com 245 pessoas a partir do Senegal. Na Argélia, as autoridades interceptaram um bote inflável com 71 indivíduos de diversas nacionalidades, incluindo sete menores. Outros casos também foram registados em Marrocos e na Guiné-Bissau.

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Na África, países como Benim, Burkina Faso, Congo, Costa do Marfim, Gana, Senegal e Serra Leoa relataram acções significativas contra redes de tráfico humano, resultando no resgate de mais de 200 vítimas e no desmantelamento de diversos centros de recrutamento e exploração.

Esses esquemas, predominantes na África Central e Ocidental, envolvem o recrutamento de vítimas sob pretextos de trabalho no exterior, com cobranças de “taxas de recrutamento” exorbitantes, seguidas da coerção das vítimas a recrutarem amigos ou familiares em troca de melhores condições de trabalho.

Casos semelhantes foram relatados em outras partes do mundo, como no Brasil, onde as autoridades desmantelaram uma rede transnacional de tráfico de migrantes, com ligações ao Paquistão, Afeganistão, México e Estados Unidos, resultando na prisão do principal suspeito. Este indivíduo teve restrições de viagem impostas e um total de 1,1 milhão de dólares em bens, incluindo imóveis, veículos, embarcações, aeronaves e criptomoedas, foi congelado.

O documento ressalta que o crime migratório está a deslocar-se para o Sul, em parte devido às políticas mais rigorosas da administração americana desde o retorno de Donald Trump à Presidência.

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