Um tumulto de violência ocorreu na província de Cabo Delgado, onde um grupo de populares invadiu uma esquadra da polícia na tentativa de linchar um comandante da Força Local, uma milícia que actua na região. A informação foi confirmada pela porta-voz da polícia local, Eugénia Nhamusa.
Os eventos que culminaram nesta tragédia remontam a Outubro do ano passado, quando o comandante da Força Local de Ancuabe, juntamente com outros cidadãos, foi acusado de ter assassinado três homens e de ter se apoderado de três motorizadas. Segundo Nhamusa, o comandante teria atribuído uma das motorizadas a seu genro, com a intenção de que este a utilizasse para transporte de passageiros.
Em 25 de novembro, a motorizada em questão foi avistada em circulação, tendo o proprietário original, dado como desaparecido, sido reconhecido pela comunidade. Questionado sobre a posse do veículo, o homem que a conduzia afirmou que a motorizada pertencia ao seu sogro, o comandante. Este acabou por ser detido pela polícia.
A informação sobre a detenção do comandante rapidamente se espalhou entre os populares, que, em um ato de revolta, invadiram a esquadra policial. Com uso da força, conseguiram retirar o homem sob custódia, agredindo-o fisicamente até ao linchamento, que resultou na sua morte.
Em Junho deste ano, o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, já tinha sublinhado a importância do apoio à Força Local, reconhecendo o papel fundamental deste grupo no combate à insurgência presente na província de Cabo Delgado. A Força Local é composta, em grande parte, por antigos guerrilheiros da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), que se uniram para enfrentar os grupos extremistas que têm atacado a região desde Outubro de 2017.
Cabo Delgado, rica em recursos de gás, tem sido alvo de ataques extremistas, com o primeiro incidente reportado a 5 de Outubro de 2017, no distrito de Mocímboa da Praia. As operações da Força Local são consideradas cruciais na luta contra a insurgência armada que aflige a região.















