Dois indivíduos, um agente da Polícia da República de Moçambique (PRM) e um funcionário da Administração Nacional de Estradas (ANE), foram detidos sob suspeita de estarem envolvidos em actos de roubo e vandalização no Hospital Provincial de Xai-Xai, na província de Gaza.
De acordo com informações divulgadas pelo jornal O País, a ação criminosa resultou em danos significativos, deixando várias áreas da unidade sanitária sem energia eléctrica, sistema de refrigeração e abastecimento de água em pelo menos quatro serviços considerados críticos.
A direcção do hospital qualificou este incidente como o mais grave registado nos últimos cinco anos. Embora os prejuízos não tenham sido ainda quantificados, a administração alerta que os danos são elevados e comprometem seriamente o funcionamento da instituição de saúde.
“É um grande retrocesso. Os prejuízos são enormes e difíceis de calcular neste momento. Nos últimos seis meses, temos registado sucessivos roubos e actos de vandalização, incluindo o furto de equipamentos e outros bens essenciais. A enfermaria de subespecialidade, que estava praticamente pronta para entrar em funcionamento, teve a sua parte eléctrica totalmente vandalizada,” afirmou a administradora do hospital, Elisa Fuel.
Entre os serviços afectados encontram-se a maternidade, pediatria, morgue e laboratório, todos privados de energia eléctrica, sistema de refrigeração e água canalizada. Os sanitários destas áreas também sofreram danos severos.
Segundo a administradora, os suspeitos agiam de forma dissimulada, fazendo-se passar por pacientes para aceder às instalações. “Foram roubados pelo menos quatro aparelhos de ar-condicionado, incluindo os da morgue e do armazém do laboratório provincial. Houve ainda o saque de torneiras em várias casas de banho, o que nos deixou sem água corrente em serviços como urgências, ortopedia, berçário e pediatria,” lamentou.
A direcção do hospital sustenta que os crimes foram cuidadosamente planeados e ocorreram ao longo de vários meses, mesmo com a presença de um posto policial no recinto hospitalar. “Durante cerca de seis meses, tudo acontecia praticamente à vista das autoridades,” denunciou Elisa Fuel.
A situação levou a equipa de segurança privada do hospital a intensificar as rondas, resultando na detenção em flagrante dos dois indivíduos quando tentavam remover cabos elétricos do topo de um dos edifícios da unidade sanitária.
“Estávamos a tentar perceber como era possível tanto material desaparecer. Foi assim que conseguimos identificar os suspeitos. Um é agente da polícia, residente no bairro 13, e o outro é funcionário da ANE, que estava a retirar os fios elétricos. Ambos já foram entregues à polícia,” revelou o chefe da segurança privada do hospital.
Por sua vez, o porta-voz da PRM em Gaza, Júlio Nhamussua, rejeitou a versão apresentada pela segurança privada do hospital.















