Destaque SERNIC desmantela rede de falsificação em Nampula

SERNIC desmantela rede de falsificação em Nampula

O Serviço Nacional de Investigação Criminal (SERNIC) anunciou a detenção de um cidadão maliano de 55 anos, acusado de liderar uma rede clandestina responsável pela falsificação de documentos que facilitavam a entrada ilegal de estrangeiros em Moçambique e promoviam o tráfico de seres humanos, incluindo menores. 

A operação resultou na apreensão de uma quantidade significativa de documentos falsos e equipamentos usados na criação de identidades fraudulentas.

A porta-voz do SERNIC, Enina Tsinine, detalhou que a estrutura operava a partir de uma residência localizada no Mercado Bombeiro, na zona dos Poetas, que funcionava como uma agência de viagens de fachada. Durante a operação, foram confiscados 42 passaportes, 30 capas de passaportes vazias, cédulas pessoais falsas, cartões do Sistema Nacional de Saúde, cartões de asilo, bilhetes de identidade e 15 carimbos de diversas empresas.

Tsinine revelou que o acusado não se limitava à produção de documentos para adultos, mas também falsificava Cartões de Nascimento, permitindo a alteração da filiação de menores. “Através da falsificação de documentos, é possível trocar a identificação de uma criança, fazendo-a passar por filha de alguém que não é o seu progenitor. Isso facilita o seu tráfico para fora do País”, afirmou a porta-voz, considerando esta prática como uma das mais graves do caso.

A investigação apurou que muitos dos passaportes apreendidos não possuíam visto de entrada em Moçambique, evidenciando a prática de imigração ilegal. A criação de novas identidades, incluindo cédulas pessoais e nascimentos falsos, possibilitava que cidadãos estrangeiros obtivessem documentos moçambicanos e, em alguns casos, tentassem processos de nacionalização.

Recomendado para si:  Vagas de emprego do dia 04 de Fevereiro de 2026

Além das acusações de falsificação documental, o suspeito enfrenta também acusações de tráfico de seres humanos, por alegadamente utilizar as identidades adulteradas para facilitar a circulação de menores e adultos fora do controle migratório. A operação foi desencadeada após denúncias recebidas a 27 de Outubro, resultando na sua neutralização na quarta-feira.

O indiciado negou as acusações, defendendo-se ao afirmar que possui uma agência de viagens legal há dez anos e que apenas auxiliava clientes estrangeiros na obtenção de documentos como passaportes e licenças. “Tenho 55 anos, sou maliano. Tenho uma agência de viagens com contabilista. Ajudava as pessoas a conseguir DIRE e alvarás. Estes documentos são dos meus clientes”, argumentou o suspeito.

O SERNIC garantiu que as investigações continuarão para determinar a dimensão da rede, o número de beneficiários dos documentos falsos e o eventual envolvimento de outras partes.

As autoridades consideram este caso como um dos mais significativos dos últimos anos em Nampula, no que refere à alteração de identidades e os riscos associados ao tráfico humano.

Destaques da semana