Destaque Novo ataque terrorista em Mocímboa da Praia faz uma vítima mortal

Novo ataque terrorista em Mocímboa da Praia faz uma vítima mortal

Um grupo de terroristas islâmicos assassinou uma pessoa no distrito de Mocímboa da Praia, na província de Cabo Delgado, no norte de Moçambique.

Fontes locais, citadas pelo diário “Carta de Moçambique”, revelaram que a vítima, um homem que exercia actividades económicas na região, foi alvejada pouco depois de os atacantes terem irrompido pela sua residência. “Foi uma acção muito rápida. Quando os homens chegaram, entraram na casa de forma violenta. Creio que ele tentou escapar, mas foi abatido. Esta manhã, encontramos o seu corpo fora da habitação”, relatou uma fonte.

Outro testemunho aponta que a esposa e as filhas da vítima foram sequestradas na mesma noite pelos agressores, mas regressaram a casa na manhã seguinte. “Na verdade, estamos a viver uma situação de insegurança. Mesmo com as forças que temos, não houve reacção, e as mulheres, assim como a criança, foram libertadas”, acrescentou um outro informante.

O distrito de Mocímboa da Praia tem enfrentado momentos de pânico. Relatos de incursões terroristas têm levado dezenas de famílias a passar a noite em claro, receando novos ataques dos insurgentes, especialmente na zona de Milamba.

No início de Outubro, um grupo de terroristas atacou o bairro de Milamba e realizou uma palestra numa mesquita local, exigindo a implementação de um estado islâmico. Num vídeo que se tornou viral nas redes sociais, um grupo de três jihadistas, vestidos com uniformes militares semelhantes aos das Forças Armadas de Moçambique (FADM), proferiu discursos na língua local.

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Estes movimentos preocupantes dos terroristas em Mocímboa da Praia surgem num contexto em que este distrito esteve fora do controlo do Estado entre 2020 e 2021, e actualmente encontra-se sob rigorosas medidas de segurança garantidas por forças moçambicanas e ruandesas.

Em 2024, pelo menos 349 pessoas perderam a vida em ataques no norte de Moçambique, a maioria dos quais atribuídos ao grupo extremista Estado Islâmico, o que representa um aumento de 36% em relação ao ano anterior, segundo um estudo divulgado pelo Centro Africano para Estudos Estratégicos (ACSS), uma instituição académica do Departamento de Defesa dos Estados Unidos.

Desde 2017, os ataques de extremistas violentos em Cabo Delgado provocaram a morte de pelo menos 4.500 pessoas e o deslocamento de mais de um milhão. Aproximadamente 4.965 pequenos negócios foram destruídos, deixando as comunidades sem meios de subsistência.

A taxa de desemprego juvenil na província é actualmente de 25%, com 35% das jovens mulheres sem emprego, educação ou formação, segundo a Organização Internacional para Migrações (OIM).

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