Sociedade LAM anuncia demissão de 80 trabalhadores na reestruturação da companhia

LAM anuncia demissão de 80 trabalhadores na reestruturação da companhia

As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), companhia aérea de bandeira nacional, irá proceder ao despedimento de pelo menos 80 trabalhadores excendentários como parte de um processo de reestruturação.

O anúncio foi feito pelo Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, durante uma sessão de “Perguntas ao Governo” na Assembleia da República, realizada hoje na capital moçambicana. Matlombe explicou que a reestruturação visa a valorização e racionalização dos recursos humanos, após uma avaliação que identificou um excesso de colaboradores.

Nos últimos dez anos, a LAM enfrentou desafios financeiros significativos, atribuídos a actos de corrupção cometidos por gestores seniores da empresa, particularmente na contratação de serviços. Este cenário resultou numa dívida acumulada com fornecedores, ultrapassando os 230 milhões de dólares.

A companhia foi gerida pela empresa sul-africana Fly Modern Ark (FMA) no último ano, numa tentativa do governo de torná-la rentável e evitar a falência. O Ministro frisou que a redução do número de trabalhadores ajudará a conter despesas desnecessárias, permitindo a redireccionamento dos recursos para outras prioridades.

Além do ajuste de pessoal, a LAM irá fechar lojas consideradas desnecessárias e terciarizar serviços de atendimento ao cliente. Foi ainda mencionada a intenção de introduzir um sistema de contabilidade integrado, com o intuito de reestruturar as participações da LAM em diversas empresas.

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As compensações para os trabalhadores despedidos serão efectuadas em conformidade com a Lei do Trabalho, assegurando assim o pagamento de pré-aviso, indemnizações, férias, 13º mês e um mês adicional, garantindo a transparência e dignidade no processo.

Relativamente às tarifas praticadas pela LAM, o Ministro Matlombe indicou que estas refletem uma estrutura de custos ainda elevada, resultante do excesso de pessoal, altos custos de leasing e da dependência da importação de combustível. O governo está empenhado na racionalização de custos, optimização de rotas e renovação da frota, com o objectivo de tornar os preços dos bilhetes progressivamente mais acessíveis, sem comprometer a sustentabilidade da empresa.

Sobre a utilização predominante da língua inglesa em alguns voos, o Ministro esclareceu que esta se deve a contratos de leasing com tripulações estrangeiras. Contudo, estão a ser implementadas medidas para reverter esta situação, priorizando a tripulação nacional e o uso do português.

A sessão de “Perguntas ao Governo” continuará na próxima sexta-feira, dia 14 de Novembro.

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