O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, revelou que o governo estará a trabalhar arduamente para assegurar a retoma dos projectos de gás natural líquido na Bacia do Rovuma, situada ao largo da costa da província nortenha de Cabo Delgado.
Em declarações proferidas em Maputo, durante a cerimónia de abertura da Conferência Anual do Sector Privado (CASP), Chapo afirmou que “num prazo de uma semana no máximo, finalizaremos as discussões com o projecto liderado pela TotalEnergies, para que possamos retomar os trabalhos”.
O projecto da Total, conhecido como “Mozambique LNG”, teve a sua execução suspensa em Março de 2021, quando a empresa invocou força maior, na sequência de um ataque terrorista significativo à localidade de Palma. Contudo, no final de Outubro, a TotalEnergies levantou o estado de força maior, estando agora os pormenores a ser finalizados. Chapo afirmou: “Estamos a trabalhar para fechemos os pontos que consideramos importantes, tanto para o benefício do povo moçambicano como para os investidores, de forma a retomar o projecto o mais rapidamente possível”.
Durante a sua visita a Houston em Outubro, o Presidente recebeu informações dos gestores da empresa norte-americana ExxonMobil, os quais garantiram que assim que a TotalEnergies retomar os trabalhos, a ExxonMobil também o fará. Espera-se uma decisão final de investimento sobre o projecto da ExxonMobil na Bacia do Rovuma para Junho ou Julho do próximo ano.
A empresa energética italiana ENI já deu luz verde para uma segunda plataforma flutuante de LNG ao largo da costa de Cabo Delgado. Chapo destacou que o investimento combinado dos projectos da ENI, ExxonMobil e TotalEnergies é de cerca de 50 mil milhões de dólares.
O Presidente comprometeu-se a que os fundos resultantes dos projectos de gás natural na Bacia do Rovuma seriam “investidos nas nossas áreas tradicionais de desenvolvimento, visando diversificar a nossa economia”, incluindo sectores como a agricultura, o turismo e as infra-estruturas rodoviárias.
Chapo anunciou que a tão esperada reabilitação da principal auto-estrada norte-sul do país (EN1) está em curso, com os trabalhos a serem realizados no troço entre o rio Save e o cruzamento de Inchope, na província de Manica. “Nos próximos cinco anos, continuaremos a melhorar as nossas estradas, especialmente a EN1”, prometeu o Presidente. “Continuaremos a investir na industrialização, de forma a proporcionar emprego para os nossos jovens, ao mesmo tempo que investimos na mineração e na electrificação”.
O Presidente classifica a edição deste ano da CASP como “um ponto de viragem”. Afirmou que na próxima edição da conferência, os participantes não devem apenas analisar políticas, mas trazer resultados, demonstrando que “os investimentos se traduziram em realidades, indústrias foram estabelecidas e sonhos foram transformados em prosperidade nacional”.
“O tempo de hesitação acabou”, concluiu Chapo. “Entramos na fase de implementação, responsabilidade e confiança”.

















