A Deloitte Moçambique emitiu um alerta sobre o crescimento alarmante das fraudes e crimes financeiros nas empresas do país, revelando que cerca de 35 por cento das organizações enfrentaram algum tipo de incidente no último ano.
Esta informação foi divulgada por Vera Pita, investigadora da Deloitte Moçambique, durante o Fórum Bancário organizado pelo Banco ABSA, realizado em Maputo.
O evento serviu como plataforma para a apresentação de resultados inéditos do novo Estudo sobre Crimes Financeiros e Fraudes em Moçambique, que aponta para um fenómeno complexo e em expansão. Vera Pita destacou que as organizações moçambicanas estão a encarar riscos tanto internos quanto externos, exigindo uma resposta estruturada e tecnológica.
O estudo revela que 88 por cento das empresas identificam fraudes em meios de pagamento como o tipo mais comum de crime interno, seguidos pelo uso indevido de recursos e roubo de bens. No que diz respeito aos crimes externos, um terço das empresas reportou fraudes perpetradas por clientes, fornecedores ou parceiros comerciais. Além disso, 19 por cento das organizações enfrentaram ataques cibernéticos e igual percentagem sinalizou a falsificação de documentos.
Vera Pita enfatizou que as tipologias de fraude estão a tornar-se cada vez mais sofisticadas, tornando urgente o reforço dos mecanismos de controlo e a implementação de detecções proactivas. A investigadora apontou a subutilização da tecnologia em Moçambique como um desafio, pois 72 por cento das empresas não possuem ferramentas adequadas para detectar irregularidades em tempo útil. Os principais obstáculos identificados para esta situação incluem os elevados custos de software, a resistência à mudança e as dificuldades de integração entre sistemas.
Com base nas conclusões do relatório, a Deloitte sugere uma reforma que deve assentar em quatro pilares essenciais: cibersegurança, monitorização contra o branqueamento de capitais, gestão de riscos macroeconómicos e a melhoria da Governança corporativa, bem como a cultura de risco.
O diagnóstico apresentado pela Deloitte é preocupante, evidenciando o aumento das fraudes, a fragilidade dos controlos e a baixa adopção tecnológica no sector.
Contudo, o relatório também aponta para a inovação, automatização e uma cultura de integridade como fundamentais para a construção de um sistema financeiro mais seguro e competitivo em Moçambique.

















