O Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique (CPMO) anunciou em Maputo, uma redução de 25 pontos base na taxa de juro de referência, a taxa MIMO, fixando-a em 9,5 por cento.
O governador do Banco Central, Rogério Zandamela, declarou numa conferência de imprensa que esta é uma “redução modesta”. Zandamela explicou que o Banco de Moçambique não pôde proceder a cortes adicionais na taxa MIMO devido ao agravamento dos riscos e incertezas associados às previsões de inflação, particularmente os atrasos na liquidação dos instrumentos da dívida pública interna por parte do Estado.
O governador manifestou-se optimista quanto à previsão de que, a médio prazo, a inflação se mantenha em dígitos únicos, ou seja, abaixo dos dez por cento ao ano. A taxa de inflação anual tem vindo a desacelerar, tendo diminuído de 4,9 por cento em Setembro para 4,8 por cento em Outubro.
Zandamela atribuiu a expectativa de manutenção da inflação em dígitos únicos à estabilidade da moeda nacional, o metical, e à tendência favorável dos preços das commodities a nível internacional.
Contudo, o governador alertou que a endividamento público interno continua a agravar-se, impactando o funcionamento normal do mercado financeiro. A dívida pública interna ascende actualmente a 465,8 mil milhões de meticais (aproximadamente 7,3 mil milhões de dólares, à taxa de câmbio actual), o que representa um aumento de 50,3 mil milhões de meticais em comparação com Dezembro de 2024.
Zandamela frisou que a incapacidade do Estado em saldar a dívida pública a tempo tem reduzido o interesse na compra de títulos da dívida pública, contribuindo para a rigidez das taxas de juro no mercado de dinheiro interbancário.

















