A Cruz Vermelha de Moçambique (CVM) deu início a uma importante iniciativa de assistência alimentar que visa apoiar mais de 800 famílias, correspondendo a cerca de cinco mil pessoas, afectadas pela grave crise alimentar provocada pelo fenómeno El Niño.
A acção está a ser implementada nos distritos de Machaze e Tambara, na província central de Manica.
O programa foi oficialmente lançado na segunda-feira no distrito de Tambara e consiste na entrega de alimentos essenciais, como arroz, feijão, açúcar e sal, bem como sementes variadas para a produção agrícola na actual época agrária (2024/25).
O presidente da CVM em Manica, Ricardo Simão, sublinhou que 400 famílias do distrito de Machaze e 400 de Tambara estão a ser beneficiadas neste primeiro momento.
“O fenómeno El Niño causou perda significativa das culturas na campanha agrária anterior, e muitas famílias estão a enfrentar uma severa insegurança alimentar. Diante disso, apelámos aos nossos parceiros internacionais, que prontamente responderam ao nosso pedido de ajuda. Hoje, estamos a realizar a distribuição dos bens”, afirmou Ricardo Simão.
O presidente da CVM também mencionou que a quantidade de famílias assistidas poderá aumentar à medida que mais recursos forem disponibilizados. Neste momento, a organização está a concentrar esforços nas famílias em situação crítica, mas há planos para expandir a iniciativa a outros distritos igualmente afectados.
O impacto do fenómeno El Niño tem sido devastador, com a seca a afectar extensas áreas agrícolas em quase todos os 12 distritos da província de Manica.
Na campanha agrária anterior, a produção esperada era de 4,4 milhões de toneladas, mas este número não foi alcançado, resultando em uma crise alimentar significativa. Algumas comunidades já estão a recorrer a zonas mais baixas para cultivar culturas mais resistentes à seca, uma estratégia que visa mitigar os efeitos da crise.
Para a presente campanha agrária, a província de Manica prevê uma produção de 3.631.251 toneladas de diversas culturas, levando em consideração a área lavrada de 1.040.310 hectares e o envolvimento de mais de 100 mil produtores.
Durante o recente lançamento da campanha, as autoridades locais apelaram à população para continuar empenhada na produção agrícola, num esforço conjunto para superar os desafios impostos pela seca.
















