Capa Governo do Ruanda reafirma ausência de tropas em Maputo

Governo do Ruanda reafirma ausência de tropas em Maputo

O governo do Ruanda, através da porta-voz Yolande Makolo, negou enfaticamente a presença de tropas ruandesas em Maputo, capital de Moçambique, e esclareceu que as forças ruandesas actuam exclusivamente na província de Cabo Delgado, em apoio às Forças Armadas de Moçambique no combate ao extremismo violento. 

A declaração surge como resposta a rumores que circulam sobre uma eventual mobilização de tropas ruandesas na capital para controlar manifestações desencadeadas após as eleições gerais de Outubro.

Em sua conta oficial na rede social X, Makolo desmentiu categoricamente as alegações. “Não há tropas ruandesas em Maputo. As Forças de Segurança do Ruanda estão destacadas exclusivamente em Cabo Delgado, em operações conjuntas com as forças moçambicanas contra combatentes extremistas que têm aterrorizado a população da província”, afirmou a porta-voz, reiterando o compromisso do Ruanda com a paz e segurança na região afectada pela insurgência.

Cabo Delgado, onde se encontra uma força de mais de 2.000 soldados ruandeses desde 2021, é uma área estratégica devido ao projecto de exploração de gás natural da empresa francesa TotalEnergies, conforme o acordo de cooperação entre Ruanda e Moçambique. A presença das tropas ruandesas tem como objectivo garantir a estabilidade e segurança local face às acções de grupos terroristas que actuam na região há sete anos.

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Em Maputo, a situação política permanece tensa. Os protestos dos últimos dias, liderados sobretudo por apoiantes do candidato presidencial Venâncio Mondlane, contestam os resultados eleitorais anunciados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), que declarou a vitória de Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, com 70,67% dos votos.

Mondlane, que obteve 20,32% dos votos como candidato do Partido Optimista para o Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), rejeita os resultados e convocou uma greve geral e novas manifestações para 7 de novembro.

Nos últimos dias, a capital moçambicana registou bloqueios de vias públicas, confrontos entre manifestantes e forças de segurança e a intervenção da polícia com gás lacrimogéneo. Após três dias consecutivos de distúrbios, domingo foi o primeiro dia de relativa tranquilidade, com o funcionamento normal de mercados e actividades comerciais, embora a tensão permaneça no ambiente político.

Enquanto se aguarda a validação dos resultados pelo Conselho Constitucional, a situação permanece imprevisível, com expectativa sobre os próximos passos das partes envolvidas.

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