Sociedade Amnistia Internacional apela à SADC para agir face à crise em Moçambique

Amnistia Internacional apela à SADC para agir face à crise em Moçambique


A situação em Moçambique continua a deteriorar-se, com um aumento alarmante no número de mortos associado a protestos recentes.

Khanyo Farisè, Director Regional Adjunto da Amnistia Internacional para a África Oriental e Austral, criticou a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) pela sua “chocante ausência” de resposta às crescentes violações dos direitos humanos no país.

Farisè sublinhou a urgência de a SADC tomar uma posição firme contra os ataques ao direito de protestar e a repressão violenta que resultou na morte de manifestantes, independentemente do resultado das eleições. “A SADC tem sido dolorosamente lenta em responder à crise de Moçambique. É imperativo que o bloco se manifeste agora com clareza contra as contínuas violações dos direitos humanos pelas forças de segurança moçambicanas”, afirmou durante uma conferência de imprensa.

O apelo da Amnistia Internacional surge numa altura em que a SADC se prepara para uma reunião extraordinária, agendada para decorrer de 16 a 20 de Novembro em Harare, Zimbábue, onde se discutirão, entre outros assuntos, as eleições em Moçambique.

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A organização instou ainda a União Africana a intensificar os seus esforços para responsabilizar as autoridades moçambicanas, incluindo o pedido à Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos para investigar as violações em curso.

Dados de organizações da sociedade civil moçambicana revelam que a polícia matou dezenas de pessoas, feriu mais de cem e deteve arbitrariamente milhares desde o início dos protestos.

Na semana passada, as autoridades mobilizaram tropas militares para conter as manifestações, que têm sido marcadas por tensões crescentes e represálias, incluindo pelo menos um assassinato de um suposto policial.

O líder da oposição, Venancio Mondlane, convocou múltiplas fases de protestos em resposta a alegações de fraudes eleitorais e abusos policiais, desafiando as autoridades a garantirem um ambiente seguro e democrático para os cidadãos moçambicanos.

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