O Quénia prepara-se para novos protestos impulsionados por uma juventude desiludida e exasperada. A insatisfação generalizada com a corrupção endémica, o desemprego elevado e o crescente custo de vida levou milhares de jovens a prometerem regressar às ruas com o objectivo de “recuperar o país”.
Raphael Omondi, de 24 anos, é um exemplo desta frustração. Apesar de possuir uma formação em multimédia, especializada em televisão, nunca conseguiu encontrar um emprego na sua área de estudo.
“Cada vez que me candidato a um emprego, ou não obtenho resposta, ou informam-me que a vaga foi ocupada por alguém com contactos. Isto não é uma situação isolada, mas sim um reflexo de toda uma geração traída pelos nossos líderes”, desabafa Raphael.
Residente na capital, Nairobi, Raphael expressa o sentimento de urgência entre os jovens: “É hora de mudar. Vamos recuperar o nosso país. O nosso Presidente tentou fazer as coisas da forma certa, mas falhou. Queremos que ele se demita para que possamos ter um Governo que realmente se preocupe connosco – precisamos de um novo começo, custe o que custar.”
Os protestos de quinta-feira, foram organizados por uma coligação de grupos juvenis e organizações da sociedade civil. O movimento ganhou força através das redes sociais, que desempenharam um papel vital na mobilização e angariação de apoio, evidenciando o desejo profundo de mudança no país.















