Destaque Mais de 90 detidos na Nigéria por protestos com bandeiras russas

Mais de 90 detidos na Nigéria por protestos com bandeiras russas

A polícia nigeriana anunciou, a detenção de mais de 90 manifestantes que exibiam bandeiras russas, enquanto o país enfrenta o sexto dia de protestos devido às suas dificuldades económicas.

Olumuyiwa Adejobi, porta-voz da polícia, informou à agência de notícias francesa AFP que mais de 90 pessoas foram detidas por exibirem bandeiras russas durante as manifestações.

Em um comunicado divulgado nas redes sociais, o porta-voz do Serviço de Informações Internas da Nigéria (DSS) revelou que a agência havia detido alguns alfaiates no Estado de Kano responsáveis pela confecção das bandeiras russas que eram distribuídas na região. O DSS conduz actualmente uma investigação sobre o caso.

Desde quinta-feira, milhares de pessoas têm se reunido em várias cidades da Nigéria para protestar contra o aumento dos preços e a má gestão governamental, numa altura em que o país, o mais populoso de África, enfrenta a sua pior crise económica em décadas.

A agência espanhola EFE relatou que, até agora, foram presas um total de 873 pessoas, conforme as autoridades.

Embora a mobilização tenha diminuído após a repressão policial, centenas de manifestantes ainda saíram às ruas na segunda-feira em estados do norte, como Kaduna, Katsina e Kano, bem como no estado de Plateau, no centro do país.

Jornalistas da AFP e testemunhas relataram que alguns manifestantes agitavam bandeiras russas, um gesto que foi severamente criticado pelo chefe do exército nigeriano.

O norte da Nigéria tem laços culturais, religiosos e socioeconómicos estreitos com países vizinhos da região do Sahel, que recentemente testemunharam uma série de golpes de Estado liderados por militares aliados da Rússia.

O General Christopher Musa, Chefe do Estado-Maior do Exército, advertiu que os indivíduos envolvidos em treinar outros para exibir bandeiras russas na Nigéria estão a ultrapassar uma linha vermelha e que tal não será tolerado. Esta declaração foi feita durante um briefing em Abuja, na segunda-feira.

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A embaixada russa na Nigéria negou qualquer envolvimento no caso, afirmando que o Governo Russo e os seus funcionários não estão envolvidos nem coordenam de qualquer forma essas actividades. A embaixada acrescentou que as acções dos manifestantes são escolhas pessoais e não refletem a posição oficial ou a política do Governo russo.

Na semana passada, a ONG Amnistia Internacional acusou a polícia nigeriana de ter matado pelo menos 13 manifestantes no primeiro dia dos protestos. A polícia, por sua vez, declarou que sete pessoas morreram e negou qualquer responsabilidade.

No domingo, o Presidente Bola Ahmed Tinubu pediu o fim das manifestações e o “fim do derramamento de sangue”, mas os organizadores prometeram continuar com os protestos.

Desde a chegada de Tinubu ao poder em Maio de 2023, o custo de vida na Nigéria tem aumentado, com a inflação atingindo um recorde de 33,95% em Junho. Este aumento fez disparar os preços de produtos essenciais como arroz, milho e inhame, tornando-os inacessíveis para muitos nigerianos.

Apesar das medidas do governo, como a distribuição gratuita de cereais e o aumento do salário mínimo, o impacto da eliminação do subsídio aos combustíveis não foi atenuado.

A Nigéria, com mais de 213 milhões de habitantes, é o país mais populoso de África e um dos principais produtores de petróleo do continente. No entanto, quatro em cada dez nigerianos vivem abaixo do limiar da pobreza, segundo o Banco Mundial. A inflação tem contribuído para uma crise de desnutrição, especialmente nos estados do norte, levando a um “aumento sem precedentes” de admissões de crianças gravemente desnutridas, segundo os Médicos Sem Fronteiras (MSF).

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