Destaque Presidente do Quénia demite quase todo o Governo após protestos mortais

Presidente do Quénia demite quase todo o Governo após protestos mortais

O presidente do Quénia, William Ruto, demitiu a quase totalidade dos seus ministros, exceptuando o seu vice-presidente e a ministra dos Negócios Estrangeiros, duas semanas após manifestações antigovernamentais que resultaram na morte de pelo menos 39 pessoas.

Depois de “ouvir o que o povo do Quénia tem dito e após uma avaliação exaustiva do desempenho do meu Governo, das suas realizações e desafios, decidi (…) demitir todos os membros com efeito imediato”, anunciou o chefe de Estado durante uma conferência de imprensa no palácio presidencial.

A remodelação do Governo era aguardada desde as manifestações em larga escala que ocorreram após o anúncio de novas reduções fiscais em Junho, levando milhares de jovens a protestarem nas ruas.

Apenas a ministra dos Negócios Estrangeiros, Musalia Mudavadi, e o vice-presidente, Rigathi Gachagua, mantiveram os seus cargos, continuou Ruto.

“Vou iniciar imediatamente amplas consultas entre os diferentes sectores e formações políticas, com o objectivo de definir um Governo com uma ampla base de apoio que me ajude a acelerar e a implementar as medidas necessárias e urgentes”, afirmou o chefe de Estado.

Ruto destacou que os recentes acontecimentos, que forçaram a retirada do projecto de lei das finanças e que exigirão uma revisão e reorganização do orçamento, levaram o país a um ponto de viragem.

Para o presidente, o novo Governo deverá permitir-lhe tomar “medidas radicais” para enfrentar o “peso da dívida”, aumentar as oportunidades de emprego e combater a corrupção.

Em 26 de Junho, o presidente queniano retirou um controverso projecto de orçamento que incluía aumentos de impostos, um dia depois de jovens manifestantes terem invadido o parlamento. A polícia disparou munições reais contra a multidão e, conforme a agência oficial de protecção dos direitos humanos (KNHCR), 39 pessoas morreram desde a primeira manifestação, em 18 de Junho.

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O Governo foi apanhado de surpresa pela dimensão do protesto denominado “Occupy Parliament”, que surgiu nas redes sociais após a apresentação do orçamento no parlamento, em 13 de Junho, encontrando forte ressonância entre a “geração Z” (jovens nascidos depois de 1997).

O projecto de orçamento catalisou o descontentamento latente com o presidente Ruto, que foi eleito em Agosto de 2022 com a promessa de defender os mais pobres, mas que depois aumentou a carga fiscal sobre a população.

Após a retirada do projecto de orçamento, William Ruto anunciou um aumento do endividamento – de cerca de 169 mil milhões de xelins (1,2 mil milhões de euros) – e uma redução das despesas de cerca de 177 mil milhões de xelins (1,3 mil milhões de euros).

Ao mesmo tempo, a agência Moody’s baixou a notação da dívida de longo prazo do Quénia, com uma perspectiva negativa. A dívida pública do Quénia, a potência económica da África Oriental, ascende a cerca de 70% do produto interno bruto.

O orçamento para 2024-25 previa uma despesa recorde de 29 mil milhões de euros, financiada inicialmente por aumentos de impostos sobre o pão e, numa segunda versão, sobre os combustíveis.

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