Destaque Manifestações no Quénia continuam apesar da proibição

Manifestações no Quénia continuam apesar da proibição

No Quénia, centenas de pessoas voltaram a sair às ruas para protestar contra o governo, desafiando a proibição de manifestações em vigor há mais de um mês.

As autoridades, que enfrentam uma onda de protestos que já causou pelo menos 50 mortes, reforçaram a segurança nas áreas afectadas.

Em Nairobi, o epicentro das manifestações anteriores, a situação é tensa. As lojas permaneceram fechadas enquanto alguns manifestantes marcharam em direcção ao Aeroporto Internacional Jomo Kenyatta, um dos mais movimentados de África. A polícia, fortemente armada, foi posicionada nas estradas que conduzem ao aeroporto, e o exército também foi mobilizado na área adjacente, densamente povoada. As autoridades da aviação recomendaram que os passageiros chegassem com antecedência para enfrentar os controlos de segurança reforçados.

O chefe da polícia em exercício, Douglas Kanja, declarou aos jornalistas que as manifestações actuais estão a servir de cobertura para criminosos e saqueadores. “Não há dúvida de que as actuais manifestações se tornaram um refúgio para criminosos motivados e oportunistas que saqueiam e destroem propriedades”, afirmou. Kanja reiterou que qualquer infracção da lei será punida de forma rápida e firme.

A polícia fez pelo menos cinco detenções a cerca de quinze quilómetros do aeroporto, com uma fonte policial a confirmar à agência France-Presse (AFP) que a polícia demonstrou “muita contenção” durante os confrontos de hoje.

Na cidade costeira de Mombaça, a situação também é crítica, com a polícia a disparar gás lacrimogéneo contra dezenas de manifestantes reunidos no centro da cidade, conforme mostram imagens dos meios de comunicação locais.

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As manifestações começaram a 18 de Junho, inicialmente lideradas por jovens da “Geração Z”, que se opunham a um projecto de orçamento que previa o aumento dos impostos sobre produtos de uso corrente. Este projecto foi retirado pelo Presidente William Ruto devido à intensificação dos protestos.

A Câmara Baixa do parlamento está agora a debater o projecto de orçamento para decidir se o abandona ou não, com o recinto parlamentar a tornar-se um ponto focal para as manifestações.

Em 25 de Junho, a polícia disparou munições reais contra manifestantes que invadiram o parlamento. De acordo com uma organização oficial de defesa dos direitos humanos, pelo menos 50 pessoas morreram desde o início dos protestos.

Diante da amplitude dos protestos, o Presidente Ruto, que assumiu o cargo em 2022, adoptou várias medidas, incluindo a retirada do projecto de orçamento e a demissão de quase todo o seu governo.

Na sexta-feira, o Presidente anunciou a formação parcial de um novo governo de 11 membros, a maioria dos quais já integrava o executivo anterior, o que gerou descontentamento adicional entre os manifestantes. Ruto afirmou que continuará as consultas para a criação de um “Governo de base alargada”.

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