Internacional IURD Angola denuncia detenção “ilegal” de 40 pastores e obreiros

IURD Angola denuncia detenção “ilegal” de 40 pastores e obreiros

Num comunicado emitido pela ala “reformista” da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), liderada pelo bispo Valente Bizerra Luís, foi reportado um incidente no domingo que resultou na detenção de mais de 40 pastores e obreiros.

O comunicado descreve um confronto entre as duas facções da IURD, que acabou por requerer a intervenção policial.

O documento enfatiza a falta de transparência nas detenções, já que até o momento não foram emitidos quaisquer relatórios de identificação das pessoas detidas nem das acusações contra elas. A nota denuncia a recusa das autoridades em revelar o paradeiro dos detidos, alegadamente por ordens superiores.

A ala angolana da IURD critica veementemente o que considera ser uma violação do direito à informação, garantido pela Constituição de Angola. Além disso, acusa as autoridades de abuso de poder, transformando os detidos em reféns numa tentativa de coagir a comunidade religiosa a agir ou omitir-se de certa maneira.

No comunicado, é ressaltada a necessidade de uma laicidade efetiva, não apenas formal, e são contestadas as alegadas atrocidades e violações dos direitos humanos cometidas pela polícia nacional.

Imagens partilhadas nas redes sociais corroboram o confronto entre os fiéis no domingo, quando alguns templos da IURD foram reabertos, incluindo a catedral de Alvalade, onde a missa foi conduzida pelo bispo Alberto Segunda, líder da facção brasileira.

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O conflito entre as alas da IURD em Angola remonta a novembro de 2019, quando dissidentes acusaram a liderança brasileira de diversos crimes, levando à formação de uma ala reformista reconhecida pelo governo angolano. Este conflito culminou com a divisão da igreja em duas facções rivais, uma liderada pelo angolano Alberto Segunda e outra pelo angolano Bizerra Luís, ambas reivindicando serem os verdadeiros representantes da igreja fundada por Edir Macedo.

O governo angolano, posteriormente, reconheceu a nova denominação da ala dissidente como a Igreja do Reino de Deus em Angola (IRDA) e determinou a transferência de todo o patrimônio para esta instituição.

As decisões resultantes de uma reunião extraordinária do conselho de direção da IURD Angola, realizada em 8 de fevereiro, foram oficializadas pelo decreto executivo n.º 74/24 de 14 de março do Ministério da Cultura e Turismo angolano.

Em março, dezenas de fiéis e pastores da IURD Angola protestaram em Luanda contra a decisão governamental de atribuir uma nova denominação à instituição religiosa, alegando que a decisão foi injusta e favoreceu a facção brasileira.

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