Um tribunal da capital da Tunísia emitiu veredictos no caso do homicídio do opositor de esquerda Chokri Belaid, ocorrido em 2013, condenando quatro dos 23 réus à pena de morte.
Após 15 horas de deliberação e 11 anos de investigações e processos judiciais, o tribunal de primeira instância de Tunes também sentenciou duas pessoas à prisão perpétua, conforme anunciou o procurador-geral adjunto da Unidade Judicial Antiterrorismo tunisina, Aymen Chtiba.
Em declarações à televisão pública, Chtiba informou que outros réus receberam penas variadas, entre dois e 120 anos de prisão, marcando o primeiro veredicto proferido no caso do assassinato de Belaid. Além disso, cinco pessoas foram absolvidas, embora permaneçam arguidas em outros processos criminais.
Apesar de o sistema judicial tunisino ainda proferir sentenças de morte, especialmente em casos de terrorismo, uma moratória de facto tem sido aplicada desde 1991.
Chokri Belaid, conhecido ativista e crítico do partido islamita e conservador Ennahdha, foi assassinado aos 48 anos, dentro do seu carro, em frente à sua casa, em 6 de fevereiro de 2013. Fundamentalistas ligados ao grupo extremista Estado Islâmico reivindicaram a responsabilidade pelo seu assassinato, bem como pelo do deputado Mohamed Brahmi, outra figura da oposição de esquerda, seis meses mais tarde.
As autoridades tunisinas anunciaram em fevereiro de 2014 a morte de Kamel Gadhgadhi, considerado o principal responsável pelo homicídio de Belaid, durante uma operação antiterrorista.
Os assassinatos de Belaid e Brahmi causaram grande comoção na Tunísia, desencadeando uma crise política profunda e forçando o Ennahdha a renunciar ao poder em 2014, cedendo-o a um governo de tecnocratas. Esses eventos marcaram um ponto de viragem para o país após a chamada ‘Primavera Árabe’ em 2011, até que o atual Presidente tunisino, Kais Saied, assumiu o controle absoluto do poder em julho de 2021.
















