O arcebispo de Malta, Charles Scicluna, defendeu, numa entrevista publicada este domingo, que a Igreja Católica Romana deveria “pensar seriamente” em permitir que os padres se casem.
Scicluna, que é também secretário adjunto do gabinete doutrinário do Vaticano, disse que a exigência de celibato para os padres é uma “condição humana” que pode ser “modificada”.
“Se dependesse de mim, eu reveria a exigência de celibato”, disse Scicluna ao The Times of Malta. “A experiência mostrou-me que isto é algo em que temos de pensar seriamente.”
Scicluna observou que o celibato não é uma exigência bíblica e que foi introduzido na Igreja Católica apenas no século XI.
“O celibato é uma condição humana, não uma condição divina”, disse Scicluna. “Pode ser modificada.”
O arcebispo disse que a exigência de celibato pode levar a “problemas psicológicos e emocionais” para os padres, que podem sentir-se isolados e solitários.
“O celibato pode ser uma fonte de grande alegria e santidade, mas também pode ser uma fonte de sofrimento”, disse Scicluna.
A exigência de celibato para os padres é uma das questões mais controversas da Igreja Católica. Os defensores do celibato argumentam que é essencial para a vida sacerdotal, pois permite que os padres se concentrem na sua missão espiritual. Os opositores do celibato argumentam que é uma restrição injusta que pode levar à falta de vocações sacerdotais.
O Papa Francisco tem sido mais aberto ao debate sobre o celibato do que os seus predecessores. Em 2016, ele disse que a Igreja deveria estar “aberta a estudar” a questão.
No entanto, é improvável que a Igreja Católica mude a sua posição sobre o celibato a curto prazo. A questão é complexa e envolve questões de doutrina, tradição e disciplina eclesiástica.
O Vaticano ainda não se pronunciou sobre as declarações de Scicluna. No entanto, é importante notar que o Papa Francisco já excluiu qualquer hipótese de alterar esta regra católica.
Em 2017, o Papa disse que o celibato é “um dom para a Igreja” e que não está disposto a alterá-lo.
No entanto, a declaração de Scicluna é significativa porque vem de um alto funcionário do Vaticano que é também um conselheiro do Papa Francisco.
As declarações de Scicluna sugerem que o debate sobre o celibato está a ganhar força dentro da Igreja Católica.
















