Internacional Marcelo Rebelo dissolve Parlamento e convoca eleições antecipadas

Marcelo Rebelo dissolve Parlamento e convoca eleições antecipadas

O Presidente da República portuguesa, Marcelo Rebelo de Sousa, dirigiu-se na quinta-feira ao país para comunicar a sua decisão de dissolver a Assembleia da República e marcar eleições antecipadas para 10 de Março de 2024, na sequência da crise política desencadeada pela demissão de António Costa, como primeiro-ministro.

“Optei pela dissolução da Assembleia da República e a marcação de eleições em 10 de Março de 2024”, afirmou, desde o Palácio de Belém, em Lisboa.

Marcelo Rebelo de Sousa, que deixou uma palavra de agradecimento a António Costa e explicou as razões que o levaram a tomar a decisão, referiu que os partidos foram “claramente favoráveis”, enquanto no Conselho de Estado se verificou um “empate e, portanto, não favorável à dissolução – situação, aliás, que já ocorrera no passado com outros chefes de Estado”.

Contudo, no seu discurso, Marcelo Rebelo de Sousa notou o gesto de António Costa ao demitir-se, mas também “o serviço à causa pública”. “Espero que o tempo permita esclarecer o sucedido”, disse ainda Marcelo, agradecendo a disponibilidade de Costa para se manter no Governo.

Num curto discurso, de cerca de sete minutos, o Presidente da República acrescentou que devolve “a palavra ao povo, sem dramatizações nem temores”, porque “é essa a força da democracia: não ter medo do povo”.

Como sempre, portugueses, confio em vós, no vosso patriotismo
“E fi-lo por inúmeras razões, a primeira a natureza do voto nas eleições de 2022, personalizado no primeiro-ministro, com base na sua própria liderança, candidatura, campanha eleitoral e esmagadora vitória”, justificou.

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Assim, Marcelo Rebelo de Sousa lembrou que assumiu esta posição “logo em 30 de Março do ano passado no discurso de posse do Governo, ao falar em eventual substituição a meio do caminho, sublinhando o preço das grandes vitórias, inevitavelmente pessoais e intencionalmente personalizadas”.

Por outro lado, considerou que haveria “fraqueza” na “formação de novo Governo com a mesma maioria mas com qualquer outro primeiro-ministro, para tanto não legitimado política e pessoalmente pelo voto popular”, solução que foi proposta pelo PS, como alternativa a eleições.

De acordo com o chefe de Estado, haveria também “o risco já verificado no passado de essa fraqueza redundar num mero adiamento da dissolução para pior momento, com situação mais crítica e desfecho mais imprevisível”.

Esse Executivo seria visto como “um Governo presidencial, isto é, suportado pelo Presidente da República, e o Presidente da República como um inspirador partidário, tudo enfraquecendo o papel presidencial num período sensível em que ele deve ser, sobretudo, uma referência interna e externa”, argumentou.

O Presidente da República defendeu que dissolução e eleições trarão “maior clareza e mais vigoroso rumo, para superar um vazio inesperado, que surpreendeu e perturbou tantos portugueses afeiçoados que se encontravam aos oito anos de liderança governativa ininterrupta” de António Costa.

“Agora do que se trata é de olhar em frente, estugar o passo, escolher os representantes do povo e o Governo que resultará das eleições”, prosseguiu.

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