A vice-presidente do Parlamento Europeu, Eva Kaili, e três outras pessoas foram acusadas, no domingo, na Bélgica, tendo ficado em prisão preventiva no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de corrupção relacionadas com suborno por parte do Governo do Qatar no seio desta instituição, indicou uma fonte judicial, citada pela France Press.
“Há vários meses que investigadores da Polícia suspeitam que um Estado do Golfo tenta influenciar as decisões económicas e políticas do Parlamento Europeu”, adiantou o Ministério Público Federal belga em comunicado.
Este Estado teria executado esta estratégia através do “pagamento de quantias substanciais de dinheiro, e oferecendo presentes importantes a terceiros, a pessoas com uma posição política ou estratégica importante dentro do Parlamento Europeu”, acrescentou.
Embora o Ministério Público belga não mencione explicitamente o Qatar, os dois meios de comunicação belgas citam várias fontes que confirmaram que se trata do país que organiza o Mundial de futebol.
No âmbito da investigação liderada por um juiz especializado em crimes financeiros, as buscas domiciliárias centraram-se em assessores parlamentares do PE.
O Ministério Público Federal não forneceu nomes ao anunciar a prisão preventiva de quatro das seis pessoas presas nas últimas 48 horas.
“Quatro pessoas foram presas após serem indiciadas por um juiz de instrução de Bruxelas por “pertencerem a uma organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção”, diz um comunicado da Procuradoria Federal da Bélgica, acrescentado que outras duas pessoas foram libertadas pelo juiz.
Segundo a mesma fonte abordada pela France Press, Eva Kaili é uma dessas quatro pessoas detidas. “Não pode beneficiar da sua imunidade parlamentar por ter sido de-tectada em flagrante delito na sexta-feira”, explicou.
Esta fonte confirmou relatos de que Kaili estava na posse de “sacos de ingressos” na noite de sexta-feira, quando a Polícia belga a prendeu.
O Ministério Público Federal também anunciou ter ocorrido uma busca, na noite de sábado, na casa de um se-gundo deputado.
Neste caso “suspeita-se do pagamento de avultadas quantias em dinheiro ou da oferta de presentes significativos a terceiros com posição política e/ou estratégica que permita, no seio do Parlamento Europeu, influenciar as decisões” desta instituição, sublinha o comunicado.
Na noite de sábado, a presidente do Parlamento Europeu, a maltesa Roberta Metsola, havia decidido uma primeira sanção contra Eva Kaili: foi destituída de todas as tarefas delegadas por Metsola, incluindo a de representá-la na região do Médio Oriente.
Eurodeputados de esquerda, incluindo o ecologista Philippe Lamberts em nome do grupo dos Verdes no Parlamento Europeu, exigiram a renúncia de Kaili, excluída do Partido Socialista Grego (Pasok-Kinal) na noite de sexta-feira.
A Polícia de Bruxelas realizou, na sexta-feira, 16 buscas domiciliárias e efectuou as detenções, entre as quais o companheiro de Kaili, actual colaborador ligado ao grupo dos Socialistas e Sociais Democratas no PE.
“Le Soir” e “Knack” tinham avançado, igualmente, na sexta-feira, a existência de uma investigação sobre um alegado caso de corrupção, organização criminosa e branqueamento de capitais iniciado pela Procuradoria-Geral da República da Bélgica em Julho, por suspeita de que o Qatar teria tentado influenciar o posição do PE.















