Destaque Arrancou a campanha eleitoral na Nigéria

Arrancou a campanha eleitoral na Nigéria

No dia 25 de Fevereiro de 2023, a República Federal da Nigéria vai a votos para eleger o 16 º Presidente da História do país e o quinto da quarta república, o Vice-Presidente, os deputados do Senado composto de 109 assentos, da Câmara Baixa, composta de 360, bem como 30 dos 36 governadores estaduais

Com mais de 200 milhões de habitantes, a Comissão Nacional Eleitoral Independente da Nigéria (INEC, em inglês) prevê uma participação de 95 milhões de eleitores, numa altura em que se diz que para o registo, terminado em Agosto, houve uma forte adesão dos jovens que engrossam o segmento daqueles que votarão pela primeira vez.

Contrariamente a muitas realidades democráticas, em que a campanha perdura por cerca de trinta dias, na Nigéria, para as presidenciais e legislativas, que tiveram início em Setembro e para os governos e as Câmaras Estaduais que terá início no dia 12 de Outubro, envolvem meses. Ou seja cinco meses de campanha, um verdadeiro frenesi político em que 18 candidatos, entre eles uma mulher, vão concorrer para suceder ao Presidente Muhammadu Buhari, que deixa o poder no dia 29 de Maio de 2023, três meses depois das eleições.

Neste especial, o Jornal de Angola faz uma viagem ao interior da vida política nigeriana, uma democracia que se consolida desde 1999, ano de arranque da chamada quarta república, que passou uma “certidão de óbito” aos Governos militares resultantes de Golpes de Estado. È verdade que desde o retorno à democracia após os sucessivos regimes militares desde a independência no dia 1 de Outubro de 1960 até 1999, as eleições nigerianas foram sempre marcadas por violência, atrasos, reclamações de fraude e contestações judiciais. Ainda assim, de uma coisa os nigerianos parecem todos convencidos, encontram-se todos alinhados com  a velha máxima churchilleana sobre o sistema democrático, baseada na ideia de que a democracia é melhor comparativamente a todas as outras formas experimentadas. Comparativamente à era aos golpes de Estado não há dúvidas de que, definitivamente, não há alternativa ao jogo democrático mesmo nas condições em que se desenrola no país mais populoso de África.

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Assim, importa fazer uma descrição das candidaturas, abordar o “bipartidismo perfeito” por via do qual duas formações políticas, nomeadamente o All Progressive Congress (APC), no poder,  e o Peoples Democratic Party (PDP), na oposição, predominam actualmente naquele país, as rotações entre as regiões para o cargo de Presidente do país e os desafios que o país enfrenta.

As candidaturas às presidenciais

Embora estejam perfilados dezoito candidatos para a disputa das presidenciais, segundo a imprensa nigeriana, baseada nas polarizações que projectam, apenas três figuras principais se apresentam como concorrentes de peso que, pelos menos em termos relativos, poderão capitalizar as atenções.

Os três principais candidatos são Bola Ahmed Tinubu, ex-governador do estado de Lagos, que foi bem sucedido nas primárias do partido  APC, ao ponto de derrotar a figura tida como sucessor natural do Presidente Buhari, no caso o seu Vice-Presidente, Yemi Osinbajo.

Depois vem o veterano político e antigo Vice-Presidente de Obasanjo, Atiku Abubakar, pelo partido PDP e Peter Obi, candidato do Partido Trabalhista.

A campanha está ainda no início, mas os nigerianos alimentam já variadas expectativas para com os candidatos, o que é natural numa altura em que se espera que os candidatos e respectivas equipas apresentem aos eleitores as ideias e programas para a Nigéria dos próximos anos.

“Os nigerianos esperam que os candidatos presidenciais sejam transparentes; que se abram aos eleitores sobre quem eles são. Queremos que eles abram o livro; os eleitores merecem saber mais sobre o que está acontecendo no Governo”, Malam Nuhu Tahir, consultor de mídia e gestor de rádio na cidade noroeste de Kano.

Quer dizer, para a grande maioria dos nigerianos as dinâmicas internas que reflectem a vida política e democrática nigeriana, nomeadamente as origens, as confissões religiosas, a rotatividade das regiões com base no acordo não escrito, por via do qual o exercício do poder deve obedecer a sucessão Norte e Sul, entre outros.

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