Dezenas de camponeses em Moatize invadiram uma das secções da mina de carvão da Vale em Tete, no centro de Moçambique, acusando a empresa de impedir o acesso dos agricultores a um rio da região.

Os protestos do grupo, composto também por oleiros e proveniente do bairro 1.º de Maio, em Moatize, terão interrompido as operações da Vale naquela parte da mina por quase 10 horas na quarta-feira e os camponeses só abandonaram o local após a chegada de uma equipa da direção para negociações, segundo uma nota da organização não-governamental (ONG) Justiça Ambiental.

“Estes oleiros e camponeses viram recentemente o seu acesso ao rio cortado pela mineradora Vale, no âmbito do processo de expansão das atividades da empresa”, refere a organização, destacando que se trata de um rio “fundamental para as atividades de subsistência e sobrevivência que os camponeses realizam desde 1994”.

“É inaceitável que a Vale continue com esta postura hostil em Tete, e que mais uma vez tenha vedado o acesso a um rio fundamental para a subsistência das famílias que vivem no seu entorno, sem que tenha negociado”, acrescenta a ONG.

Numa nota de reação, a Vale afirma que mantém os “canais de comunicação com as comunidades abertos”, com o objetivo de “compreender as suas reivindicações e encontrar soluções sustentáveis”.