A África do Sul encerrou parcialmente, na terça-feira (12), duas fronteiras terrestres que têm ligação com Moçambique. Trata-se de Kosy-bay junto à fronteira da Ponta d’Ouro e Lebombo junto à Ressano Garcia, todas na província de Maputo. Entretanto, a fronteira de Lebombo esteve encerrada na totalidade durante uma parte do dia de ontem, facto que deixou os viajantes desesperados.

Portão totalmente encerrado, foi assim que ficou a fronteira turística de Lebombo na África do sul. Aliás, o letreiro é claro: fechado, palavra escrita em língua inglesa (closed).

Do lado de Moçambique também a fronteira de Ressano Garcia encerrou parcialmente e registaram-se saídas dos que vinham do território sul-africano. E logo a seguir começaram as filas de carros junto à estrada nacional número quatro. Vicente Manecas, estava na fila de carros, preocupado, não sabia se chegaria à casa ou não. Mas Vicente diz que não sabia que a fronteira estava encerrada.

O Governo sul-africano decretou o encerramento de 20 postos de fronteira como medida para conter os níveis de propagação da COVID-19 no seu território. As autoridades migratórias nacionais apresentaram a lista dos elegíveis para viagens àquele país.

Celestino Matsinhe, porta-voz do Serviço Nacional de Migração, explica quem são os elegíveis para viagens. “Neste momento a África do Sul aceita a entrada no seu território de cidadãos residentes naquele país, diplomatas e outros que por questões de emergência sanitária e outras categorias de viajantes como é o caso de turismo, não são permitidos a viajar para África do sul neste momento”.

Mesmo com os números assustadores reportados a partir da África do Sul, há ainda muita gente que por várias razões pretende viajar.

Luís Francisco é motorista deste autocarro, tinha como destino a África do sul levando 50 passageiros a bordo e por força do lockdown não conseguiu chegar à terra do rand.

E os camiões voltam a parar na Estrada Nacional número quatro.

O ministro dos transportes e comunicações que visitou as obras do porto seco de Ressano Garcia fala de prejuízos para a economia com esta paralisação.

“Esta paralisação vai afectar, de certa forma, aquilo que é o normal funcionamento do sistema de transporte e, consequentemente, a redução da carga que alimenta o nosso porto”, bem como “todo o sistema em si. Quando falo do sistema, falo das linhas ferroviárias e dos portos. E para além disso os próprios camiões”, afirmou o governante.

“Nós sabemos que os camiões passam pela via rodoviária e esta paralisação vai implicar a redução da carga transportada e também redução da carga manuseada nos nossos portos, tendo impacto negativo na arrecadação de receitas para a nossa economia”, enfatizou o ministro que tutela o sector dos Transportes e Comunicações.

Enquanto isso, os mineiros estavam na incerteza quanto à sua viagem, segundo disse José Cossa, que estava à espera há mais de 10 horas não conseguia atravessar para África do Sul.

Mas depois disso veio o anúncio da boa nova pela TEBA, uma agência de recrutamento de mão-de-obra para a indústria mineira sul-africana, que garantiu que todo o expediente já estava encaminhado e os mineiros poderiam viajar a qualquer momento. Mais de 200 mineiros estavam ainda em solo pátrio, à espera e com receio de perder os seus postos de trabalho.