Niassa faz fronteira com a província moçambicana de Cabo Delgado, onde insurgentes realizam ataques há mais três anos. O comandante provincial da Polícia da República de Moçambique (PRM) na província do Niassa, Arnaldo Chefo, alertou para a possibilidade de os ataques dos insurgentes em Cabo Delgado se alastrarem para a vizinha província do Niassa.

Ele acrescentou que as frequentes incursões dos insurgentes em Cabo Delgado constituem uma grave ameaça para aquela província, o que, para observadores, é uma possibilidade real.

“Temos uma grande preocupação com o terrorismo em Cabo Delgado, e nós, sendo vizinhos daquela província, temos que estar permanentemente atentos para que os terroristas não penetrem na nossa província”, afirmou aquele oficial da polícia.

No Niassa tem ocorrido ataques armados, que na óptica dos governantes, nada têm a ver com a insurgência em Cabo Delgado.

Sublinhe-se que a província do Niassa acolhe centenas de deslocados fugidos de guerra em distritos do norte e centro de Cabo Delgado.

O analista João Mosca diz que esse alastrar do conflito para o Niassa pode acontecer porque este conflito tem alguma base social de apoio.

O economista e director do Observatório do Meio Rural considera que o facto de os insurgentes estarem a ser combatidos em Cabo Delgado pode fazer com que eles procurem novas posições noutras províncias do norte de Moçambique.

Contudo, para João Mosca, é preciso entender o fenómeno no seu conjunto porque toda a zona norte de Moçambique tem elevados níveis de pobreza e desigualdades, sendo lá onde se registam também diferentes tipos de tráficos.

“É preciso investigar os problemas que fazem com que parte da população apoie esses grupos de atacantes, muitos dos quais são pessoas locais, porque a componente militar, ela sozinha, não vai resolver o problema”, realça João Mosca.

Ele refere ainda ser preciso solucionar os graves problemas que existem na região, “caso contrário, muito possivelmente, o conflito vai continuar, tanto mais que tem alguma base social de apoio”.

Refira-se que na segunda-feira, 4, a polícia em Cabo Delgado confirmou que um grupo de insurgentes tinha sido acolhido em três residências no bairro de reassentamento de Quitunda, em Palma.