A história de Mike Chanel começa quando, ainda na barriga da mãe, os médicos informaram que iria dar à luz uma menina. 

“Nunca me senti um rapaz. Sempre fui um pouco mais afeminado, tinha poucos pêlos faciais e tinha curvas, como ancas e rabo”, recorda, revelando que estas suas particularidades tornaram-no vítima de bullying na escola.

Aos 13 anos, Mike assumiu a sua homossexualidade e no ano passado, em exames de rotina médica, descobriu aquilo que pensou tratar-se “de uma piada”.

“Disse ao médico que andava com uma sensação estranha quando urinava e tinha relações sexuais, por isso decidiram fazer um ultrassom ao meu sistema urinário”, conta. “Disseram-me que tinha um colo do útero, ovários, útero e trompas de falópio e que podia engravidar se quisesse. Achei que era uma piada”, acrescenta.

Mikey foi diagnosticada com síndrome do canal Mullerian persistente (PDMS), uma condição rara em que uma pessoa tem órgãos genitais masculinos externos, mas têm órgãos reprodutores femininos internos. Quem padece deste síndrome tem fortes possibilidades de vir a sofrer de outras doenças, como cancro, motivo pelo qual os médicos aconselharam o jovem a fazer uma histerectomia, para lhe ser retirado o útero.

Contudo, Mikey tomou outra decisão. Como sabia que os seus órgãos masculinos não eram fertéis, mas o mesmo não acontecia com os seus órgãos de reprodução femininos, sabia que se um dia quisesse ter um filho, podia ser ela a carregá-lo no ventre.

Assim, sujeitou-se a tratamentos de fertilidade e a um procedimento em que o esperma do dador é injectado directamente no óvulo e está agora grávida, de quatro meses.

Agora, decidiu contar a sua história ao mundo por sentir que é um síndrome pouco falado e que deveria ser alvo de uma maior pesquisa e estudo.