Beto, como era conhecido, foi espancado até à morte por dois seguranças num supermercado da cadeia Carrefour. Está a ser investigado se morreu asfixiado ou vítima de um ataque cardíaco.

Um homem negro de 40 anos foi espancado até à morte por dois seguranças num supermercado Carrefour em Porto Alegre, no estado brasileiro de Rio Grande do Sul. O crime ocorreu na noite de quinta-feira, véspera do Dia da Consciência Negra, que se celebra esta sexta-feira no Brasil. Os seguranças foram detidos.

A vítima — identificada como João Alberto Silveira Freitas, mais conhecido por Beto — terá sido levada para fora do estabelecimento comercial após uma discussão com a funcionária da caixa. A Brigada Militar afirma que “a vítima teria ameaçado bater na funcionária, que chamou a segurança”. Ao jornal brasileiro A Folha de São Paulo, Roberta Bertoldo, responsável pelo caso, indica que morte poderá ter sido causada por asfixia ou por um ataque cardíaco.

Os dois seguranças que agrediram ficaram em cima dele, aquilo dificultou a respiração dele. Quando falamos em asfixia não significa necessariamente estrangulamento, mas aquela forma de contenção de ficar em cima dele fez com que tivesse dificuldade de respirar e pode ter ocasionado um ataque cardíaco”, disse Bertoldo.

Em entrevista a uma rádio local, Milena Borges Alves, mulher de Beto, que estava presente no momento das agressões, afirma que “ele pediu ajuda” mas continuou imobilizado pelos seguranças. “Ele disse: ‘Milena me ajuda’, mas os seguranças não deixaram me aproximar. Seguiram com o pé em cima dele, e quando desmaiou, continuaram com o pé em cima dele“, afirmou. Beto acabou por morrer no local.

Os suspeitos — dois homens de 30 e 24 anos — foram detidos em flagrante delito. Um dos agressores é um polícia militar, que negou estar a trabalhar como segurança no local, algo que foi rapidamente desmentido pelas câmaras de segurança. A investigação está a ser tratada como um caso de homicídio qualificado.