O embaixador da União Europeia em Moçambique, Antonio Sánchez-Benedito Gaspar, mostrou-se preocupado com as informações segundo as quais há desmobilizados da Renamo a juntarem-se à Junta Militar. Contudo acredita que a vontade de pacificar o país vai se sobrepor a quaisquer interesses contrários a esse propósito.

Na semana passada, Alfredo Magumisse, membro da Comissão Política da Renamo, afirmou que há desmobilizados do seu partido que se juntam às fileiras de Mariano Nhongo, supostamente porque se sentem inseguros nas zonas de residência, alegadamente por serem perseguidos pelas Forças de Defesa e Segurança.

O embaixador da União Europeia mostrou alguma preocupação em relação a estes pronunciamentos de um quadro sénior da “perdiz”. Mas acredita que a paz irá prevalecer.

“Naturalmente, estamos preocupados, mas acho que a Junta Militar é minoritária em relação ao acordo de paz e à vontade dos moçambicanos em pacificar o país. Mariano Nhongo não pode impor as suas vontades a milhões de moçambicanos. Há um processo de pacificação em curso e reiteramos o nosso apelo a Junta a se juntar ao mesmo”, afirmou Antonio Sánchez-Benedito Gaspar.

De finais de Julho do ano passado a esta parte, cerca de 900 antigos guerrilheiros da Renamo de diversas bases dos distritos de Dondo, Nhamatanda, Chibabava, Muxúnguè, Búzi, Gorongosa, Marigué e Chemba, na província de Sofala, passaram à vida civil, no âmbito do processo do Desarmamento, Desmobilização e Reintegração (DDR).

Entretanto, desde a mesma altura, militares dissidentes da Renamo, que formaram a auto-proclamada Junta Militar, têm estado a criar instabilidade em Manica e Sofala, por razões que ainda não claras.

Para a União Europeia, a Junta Militar tem oportunidade para contribuir na pacificação do país, juntando-se ao processo já iniciado.

“Dentro do processo do DDR há oportunidades para todos. Apelamos à Junta Militar a aproveitar esta oportunidade” para ser desmobilizada. “Fora do DDR não há oportunidades para ninguém. Que a junta aproveite esta possibilidade”, pois o acordo assinado entre o Chefe de Estado e o líder da Renamo não permite que um grupo de pessoas coloque em causa a “vontade de milhões de moçambicanos que querem viver em paz”, segundo Antonio Sánchez-Benedito Gaspar.