A 4 de outubro de 2017, registou-se um primeiro ataque na província moçambicana de Cabo Delgado. De um pequeno incidente, inicialmente, a situação obrigou o Governo agora a procurar ajuda no exterior, enquanto a opinião pública do país está dividida quanto à situação no país.

Relatos de então indicavam que cerca de 30 homens, na sua maioria jovens, atacaram três unidades policiais, incluindo o comando distrital, no distrito da Mocímboa da Praia.

Hoje, a violência generalizada na região, provocou mais de 1500 mortes e, pelo menos, 250 mil pessoas abandonaram as suas áreas de residência.

O pesquisador do Centro de Estudos Sociais e Económicos (IESE), Sérgio Chichava, considera que “as autoridades foram encontradas de surpresa e pensou-se que fosse um pequeno incidente, daí que foi dado até uma semana para que se entregassem às autoridades policiais”.

Mas não foi o que aconteceu e o que parecia ser um incidente, tornou-se num rastilho que hoje afeta metade da província de Cabo Delgado.

“Não se sabe de onde vêm, mas sabe-se que muitos dos jovens que integram este grupo, são jovens que sofreram influências externas de muçulmanos radicais, particularmente da Tanzânia e de alguns países dos Grandes Lagos”, lembra Chichava.

No meio a dúvidas, fato é que os insurgentes continuam a ganhar terreno, impondo a sua força perante o exército nacional e, sobretudo, dividindo opiniões, o que para a antiga primeira-ministra, Luísa Diogo, fragiliza o país.

“Têm havido vozes dissonantes por parte dos moçambicanos. Isso não é bom. Em nenhuma parte do mundo um país é atacado e as pessoas se dividem” avaliou.

O Governo moçambicano já pediu apoio à União Europeia, que não respondeu ainda.

A ministra dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Verónica Macamo, acredita que a resposta será positiva.

Tal como no início, até hoje questiona-se a origem e identidade dos insurgentes