A continuidade do estado de emergência poderá ter impacto negativo na vida dos moçambicanos mais pobres, dizem cidadãos ouvidos pela VOA.

“Eu acho que é mais um momento de sofrimento para as pessoas de baixa renda; sabemos que muitas empresas fecharam neste período e muitas pessoas ficaram desempregadas”, diz o jovem estudante Enoque Cardoso.

Cardoso recorda que “grande parte da população moçambicana prática o comércio informal, e com a declaração do estado de emergência muitas atividades estão limitadas”.

Ana Mauai, jovem vendedora informal, não hesita afirmar que “é claro que este novo estado de emergência vai prejudicar, porque teremos mais 30 dias sem fazer nada”.

Moçambique, anunciou ontem o presidente Filipe Nyusi, vai observar, entre 8 de agosto e 6 de setembro, mais uma fase do estado de emergência para evitar a propagação do novo coronavírus.

A nova fase inclui a reabertura gradual de alguns setores, a partir da segunda quinzena deste mês.

Nyusi, que justificou esta nova fase com a necessidade de “não se criar um vazio legal nas medidas de prevenção e controlo da pandemia do novo coronavírus”, disse que a “só assim iremos assegurar o necessário equilíbrio entre as medidas restritivas e o relançamento gradual da atividade económica”, disse.

Alguns analistas dizem que a decisão do executivo de Nyusi corresponde à realidade do país.

Calton Cadeado, professor universitário e pesquisador, diz que a mostra cautelas na reabertura da economia, e dá sinal de que “se as coisas forem bem sucedidas, está tudo bem; mas se não forem bem sucedidas, vamos voltar e não tenhamos medo de fazer esse exercício, porque os outros no mundo fora também o fizeram”.