Moçambique está viver um dos momentos mais graves desde a independência. A actividade dos grupos terroristas islamitas no norte do país aumentou e atingiu novos recordes nos últimos tempos. Particularmente atingida é a província de Cabo Delgado, com novos episódios de violência no último fim de semana.

Os atentados começaram em 2017 na cidade de Mocímboa da Praia, palco também dos ataques mais recentes e alargaram-se depois a várias localidades desta região. Nas últimas semanas, a situação tornou-se alarmante. A vila de Macomia, a 200 quilómetros da capital da província, Pemba, foi ocupada durante três dias por grupos armados.

Os ataques são agora cerca de 20, todos os meses. A violência fez já mais de 600 mortos.

Por detrás dos ataques está um grupo até há pouco tempo desconhecido, o Ansar al-Sunna, com ligações ao Daesh.

A solução para este escalar do terrorismo pode ter de passar por uma intervenção militar regional. Isso mesmo conclui um estudo realizado pelo instituto fundado pelo antigo primeiro-ministro britânico Tony Blair. A euronews falou com um dos autores do estudo e um dos maiores especialistas mundiais dos grupos armados islamitas em África, Bulama Bukarti, que estuda os jihadistas africanos há 11 anos e prepara uma tese de doutoramento sobre o assunto.