A família de Edson Cortez, líder de uma organização anticorrupção moçambicana, apresentou queixa na polícia depois de ter sido intimidada por desconhecidos que o procuravam, explicou o próprio à agência Lusa.

“O meu irmão foi interpelado por três indivíduos”, armados com facas, em Maputo, na segunda-feira (02), referiu. O grupo perguntou pelo paradeiro de Edson Cortez, director do Centro de Integridade Pública (CIP).

O irmão do dirigente referiu que ele se encontrava fora do país e, após insistirem na pergunta, levaram-lhe o telemóvel antes de se colocarem em fuga numa viatura.

Na altura da ameaça, Cortez e outros colegas de trabalho encontravam-se numa reunião ministerial que ocupou toda a manhã, explicou.

O director do CIP acredita que o acto de intimidação, reportado pela família à polícia, esteja ligada ao acompanhamento que a organização tem feito do caso das dívidas ocultas do Estado, que implica várias figuras do poder político, algumas das quais detidas.

“A única coisa que estamos a tratar agora são as dívidas ocultas. É por causa das dívidas ocultas, creio que sim”, disse.

Em Janeiro, o CIP foi responsável por uma campanha intitulada “Eu não pago as dívidas” que incluiu a distribuição gratuita de camisolas com aquela frase.

Na altura, Fátima Mimbire, membro do CIP e um dos rostos da acção, foi alvo de ameaças e intimidações, algumas disseminadas por redes sociais na Internet.

Lusa